A Medida da Iniquidade de um Povo

 

A Medida da Iniquidade de um Povo

João A. de Souza Filho

Agosto de 2026

 

Quando Deus fez aliança com Abraão e falou a respeito de sua descendência, disse: “Na quarta geração, voltarão para cá; porque a medida da iniquidade dos amorreus ainda não se encheu” (Gn 15.16). Na contabilidade de Deus ainda levariam quatro séculos para que a iniquidade daquele povo ficasse insuportável aos olhos de Deus.

Aquelas mesmas nações que fizeram amizade com Abraão, Isaque e Jacó se deteriorariam moralmente a ponto de Deus não aguentar mais o pecado daquele povo.

Aconteceu a mesma coisa em relação às cidades da campina do Jordão como Sodoma e Gomorra. Aquelas cidades se tornaram tão perversas que Deus decidiu destruí-las. Ele disse ao seu amigo Abraão: “Descerei e verei se, de fato, o que têm praticado corresponde a esse clamor que veio até mim. E, se este for o caso, eu ficarei sabendo” (Gn 18.20).

Aqueles três seres celestiais foram ver como estava a situação de Sodoma e Gomorra porque havia um clamor que subia a Deus. Certamente havia pessoas ali que não se contentavam com a situação moral perversa daquelas cidades. Uma dessas pessoas era Ló.

“E, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, condenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo do que viria a acontecer com os que vivessem impiamente; mas livrou o justo Ló, que ficava aflito com a conduta libertina daqueles insubordinados” (2 Pe 2.6,7).

Ló se afligia com a triste situação daquele povo! E tudo indica que Deus tem uma forma exclusiva de medição da moral de um povo e vê a situação de maneira diferente de nós.

Temos a tendência de pensar que as tragédias climáticas e os terremotos sejam parte do juízo de Deus sobre a terra, e não estamos errados ao imaginar dessa forma, só que nosso padrão de iniquidade de um povo pode não ser o mesmo de Deus!

Quanto às situações climáticas como tufões, temporais, granizo etc., dão-nos a ideia de que a terra está gemendo por causa do pecado de seus habitantes. Não sei se era isto que o apóstolo tinha em mente quando escreveu: “Pois a criação está sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.20,21).

Que os pecados de uma nação afetam diretamente o clima da terra ficam evidentes em algumas declarações na Bíblia.

“Também deixei que vocês ficassem sem ter o que mastigar em todas as suas cidades e com falta de pão em todos os lugares, mas vocês não se converteram a mim, diz o Senhor. Além disso, retive a chuva, faltando ainda três meses para a colheita. Fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas o outro, que ficou sem chuva, secou” (Am 4.5,6).

Nos dias de Jeremias, o remanescente de Judá afirmava que quando suas mulheres preparavam bolos e oferendas para a rainha dos céus tudo lhes ia bem, mas depois que pararam de fazer oferendas, tudo piorou!

 

Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à Rainha dos Céus; e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira […], antes, certamente, toda a palavra que saiu da nossa boca, isto é, queimaremos incenso à Rainha dos Céus e lhe ofereceremos libações, como nós, nossos pais, nossos reis e nossos príncipes temos feito, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém; tínhamos fartura de pão, prosperávamos e não víamos mal algum. Mas, desde que cessamos de queimar incenso à Rainha dos Céus e de lhe oferecer libações, tivemos falta de tudo e fomos consumidos pela espada e pela fome (Jr 7.18; 44.17,18).

 

Este parece ser o quadro da região em que vivo! Todos os dias oferendas são depositadas em praças, jardins, em córregos, à beira dos rios e nas matas em honra a algum deus africano e também à rainha dos céus, tanto a rainha reverenciada da matriz africana como a da católico-romana. Ao anoitecer as ruas iluminadas pelas velas nas esquinas e debaixo de árvores testemunham a religiosidade do povo!

E obviamente quando acontecem inundações, grandes enchentes, furacões e desastres climáticos diversos a tendência do povo cristão é atribuir os acontecimentos ao juízo de Deus sobre o Estado! E não há nada de errado em pensar desta forma, porque o juízo de Deus conforme registrado na Bíblia vem também através da natureza, só que temos que levar em conta a ignorância espiritual de um povo. Talvez esta seja uma das razões de Deus preservar seu povo nesta região. Afinal, ele disse:

“Diga-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertam-se! Convertam-se dos seus maus caminhos! Por que vocês haveriam de morrer, ó casa de Israel?” (Ez 33.11).

É bom lembrar que nossa medida de iniquidade é diferente da medida de Deus! Enquanto nossa medida de juízo determina que todos sejam destruídos, a medida de Deus poderá levar ainda quatrocentos anos até ficar cheia!

Nesse meio tempo basta cumprir a determinação de Jesus: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28.19,20).

Deixem os critérios de juízo com Deus e obedeçam a ordem expressa de Jesus!

 

 

 

 

 

 

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