A Força da Caneta


Joãozinho da Palhoça
Abril de 2025

“Então o Senhor disse a Moisés: — Escreva isto para memória num livro e repita-o a Josué, porque eu vou apagar totalmente a memória dos amalequitas da face da terra” (Ex 17.14).
Deus disse a Moisés: Escreva! E Moisés escreveu! Teria escrito o livro de Jó, legou-nos os cinco primeiros livros (o Pentateuco), dois lindos salmos, o 90 e o 91 e, apesar de ser íntimo de Deus, expôs com clareza suas derrotas e vitórias. Nunca escondeu sua condição humana. Aliás, esta foi uma das características dos amigos de Deus: Nunca esconderam suas fragilidades e derrotas.
Quantas coisas preciosas se perderam na história porque seus protagonistas não registraram seus feitos nem os de sua geração! Escreviam em pedras, em pelos de animais, em papiros até que veio Gutenberg, com sua prensa, de quem Castro Alves em seu magistral poema disse: “Oh! Bendito o que semeia, livros, livros à mão cheia e manda o povo pensar! O livro caindo n’alma é germe que faz a palma e chuva que faz o mar”.
Escreva a história de sua igreja, do seu bairro, da sua cidade; rememore para as gerações futuras acontecimentos que marcaram sua vida. E prepare-se para levar chicotadas! Meus primeiros livros contestaram sistemas litúrgicos e denominacionais, foram proibidos de serem vendidos ou ignorados por lideranças da igreja brasileira. Em 1973 escrevi o livreto “Para onde vai a renovação?” e levei um chute na traseira da denominação que eu era membro e pastor. Perdi o salário e fui jogado na rua! Quem se lembra de “Ratos de Igreja”? Sem comentários!
Mas, nem por isso parei de escrever e tenho na memória de meu computador livros escritos e nunca publicados. Quando eu me for desta vida, futriquem as pastas do computador e encontrarão coisas boas e absurdas que escrevi!
Hoje ao ver uma nova geração se lançando na tarefa de escrever, meu coração se alegra, porque a caneta tem mais poder que estatutos e regras denominacionais.
Escreva!
A propósito: Nasci na Barra do Aririu, município de Palhoça, SC numa colônia de pescadores, numa casa de chão batido em 1946 à luz de lamparina alimentada com óleo de baleia. Donald Trump e eu nascemos no mesmo dia e ano: ele num país que dá chances de se prosperar e se tornou Presidente da maior nação do mundo; eu num país socialista em que o estado toma tudo o que você tiver e ainda lhe processa se chamar seus líderes de corruptos!




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