As Canções Fúteis de Nossas Igrejas

Pois meus amigos, nos últimos anos houve uma reviravolta musical na hinódia das igrejas evangélicas; não para melhor e, sim pra pior! Explico. Minha geração cresceu ouvindo cânticos com letras fáceis, ótimas rimas e com melodias simples de serem aprendidas. Como: “Quão bondoso amigo é Cristo, carregou com a nossa dor; e nos manda que levemos os cuidados ao Senhor”, em que teologia, rima e poesia estão presentes, apesar de ser uma letra traduzida.

Confesso que havia certas palavras dos hinários que não se entendia o sentido, mas, uma breve explicação do dirigente do louvor que pedia para abrirmos o hino de número tal – fosse de qualquer hinário – dirimia quaisquer dúvidas. “Do mar o bramido, da brisa o langor; da ave o carpido de doce amor, me falam sentidos acordes dos céus, me trazem aos ouvidos os hinos de Deus!”. Difícil de entender? Sim, mas fácil de explicar. Poesia pura!

Depois que a igreja dispensou os hinários, passaram a fazer parte da hinódia da igreja cânticos feitos a partir de versões ou traduções de outras culturas que são incantáveis, pela rigidez das letras, falta de poesia, de rima e de métrica e péssimas versões.

Letras sem base teológica.

Poderia trazer aqui muitas canções de sucesso que não têm base bíblica ou carecem de algum fundamento espiritual. Por exemplo, a letra vingativa que a Damaris canta, no fundo quer dizer: “Você que não me valorizava, agora me vê no palco e fica aí sentado na plateia”. É como botar a língua pra fora e zombar das pessoas, porque nas Escrituras nenhuma vitória teve sabor de mel, e sim, de fel. Além de ter um português sôfrego, cheio de erros, a poesia elogia a falha de caráter, porque a vingança não faz parte do caráter cristão.

Veja abaixo:

Quem te viu passar na prova
E não te ajudou
Quando ver você na benção
Vão se arrepender
Vai estar entre a plateia
E você no palco
Vai olhar e ver
Jesus brilhando em você
Quem sabe no teu pensamento
Você vai dizer
Meu Deus, como vale a pena
A gente ser fiel
Na verdade a minha prova
Tinha um gosto amargo
Mas minha vitória hoje
Tem sabor de mel

E me perdoe o autor de Toque no Altar, porque esta música elimina todo o sacerdócio de Cristo e remete o crente para as obrigações do Antigo Testamento!

A propósito, os hinários contêm muitas melodias seculares de culturas diferentes; têm cantigas de roda dos ingleses, marchas militares, hinos nacionais de nações diversas em que alguém colocou na música uma letra cristã, e todos entoam seus louvores a Deus sem problemas. Na Harpa Cristã, de tão belos hinos, os hinos nacionais de alguns países são entoados nos cultos de nossas igrejas. Pesquisei sobre os hinos e, descobri que até mesmo o hino 212 da Harpa Cristã é o hino das Ilhas Fiji. Mas, ainda é preferível entoar letras cristãs com melodias estrangeiras do que entoar cânticos com letras que não condizem com as verdades bíblicas.

Cantar “incendeia Senhor a tua noiva” é falta de conhecimento bíblico, porque esta expressão traz embutida em si um erotismo incompreensível! E não apenas esta, mas tantas outras. Alguns hinos são verdadeiros mantras, outros são invocações à maneira oriental etc.
Na era dos hinários, pelo menos, cantavam-se quase sempre os mesmos cânticos, uns duzentos deles, apesar de haver no hinário mais de quinhentos. E tudo vinha bem organizado tanto para os músicos quanto para o dirigente do culto. Os cânticos eram selecionados para cada ocasião: Hinos para culto de ceia; cânticos para evangelização; ofertório, abertura de culto; consagração, vinda de Jesus, santificação e por aí vai!

Hoje os que dirigem louvores não possuem parâmetros e sequer sabem que hino cantar na hora do partir do pão, no ofertório ou quando é feito um chamamento para as pessoas virem à frente. A culpa é de quem? Dos pastores. Alguns por preguiça, outros por ignorância; outros pastores porque não entendem nada mesmo e delegam aos jovens as responsabilidades, enquanto eles se omitem, e ainda outros por delegarem autoridade a alguém que não sabe dela usar. Assim, os músicos ficam catando na Internet – em plena hora do culto – algum cântico que se encaixe na pregação do pastor ou em algum momento do culto.

Essa desinformação e falta de cultura espiritual é tão forte que outro dia o professor de uma turma de adolescentes me perguntou se poderia dar a ceia para eles com marshmelow! Quando as coisas não estão bem na área da adoração até o momento da ceia é influenciado por uma cultura que desfigura o corpo místico de Cristo. O pão, tão farto entre nós é agora substituído por docinhos!

Por perder a cultura do hinário e não preencher o vácuo que a falta do hinário vem fazendo, os músicos limitam-se a alguns cânticos de cantores famosos que são tocados pelas emissoras de FM ou apresentados pela Internet. Às vezes um lixo!

Confesso que não consigo entender o tipo de linha melódica que os dirigentes de louvores trazem no culto da igreja. Frases rápidas que não se encaixam na métrica; melodias que terminam inconclusas, e letras sem sentido deixam-me atônito no culto. Já nem sei como cantar, porque a cada domingo, nem bem a igreja aprendeu uma nova canção no culto anterior, um novo cântico é cantado como se toda a igreja já o soubesse cantar. O que está ocorrendo com os músicos das igrejas? Isso se deve, em parte, ao rodízio de músicos e dirigentes das igrejas, e, em parte a uma falta de supervisão dos líderes sobre o que está sendo trazido para dentro dos cultos.

A igreja se acostuma com seu dirigente de louvor, e o rodízio, para dar lugar a todos na escala de cultos quebra essa ligação entre dirigente e povo.

Identifico claramente quando um cântico vem dos grupos famosos da Austrália pela repetição da linha melódica; da Bethel Church, pela verdade bíblica, e sei quando é de algum cantor ou cantora sapatinho de fogo das igrejas pentecostais pelo ritmo intenso e os chavões briguentos das palavras. Sei quando vem de algum cantor de língua espanhola porque as versões não conseguem acompanhar o sentido das palavras originais daquele cântico. Com raríssimas exceções consigo classificar como bom alguns cânticos dos irmãos do outro lado do mundo, e repito, raríssimos!

Os hinos dos hinários têm de ser bem classificados, para não se ficar entoando o hino oficial da Alemanha, da Inglaterra, do Havaí e das Ilhas Fiji. Antigamente não se conseguia identificar a origem de um cântico, mas hoje, com a globalização das comunicações podem-se identificar as raízes dos cânticos e em que cultura surgiram. E os hinários trazem músicas patrióticas dos Estados Unidos e de vários países. Esses dias foi que descobri que o hino 212 da Harpa Cristã, “Os guerreiros se preparam para a grande luta” é a música dos guerreiros das ilhas Fiji. Meu problema não está em cantar essas músicas e letras, mas em ter que ouvir dos “sábios comentaristas” e pastores antigos de que se trata de música sacra! Uma música só é sacra quando contém letras que exaltam ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
O conjunto de músicas e cânticos de um hinário não pode ser chamado de “sacro” ou santo!

Mas também os hinos modernos têm de passar por um critério sério de avaliação musical, teológica e de métrica, antes de serem colocados goela abaixo da congregação. Letras disformes em que o sentido muda a cada sentença. O que vem na frase anterior nada tem a ver com a frase seguinte; letras sem teologia, em que se misturam heróis, mas entoa-se o cântico como se estivesse falando de um único herói. Letras sem sentido bíblico expressando apenas a emoção do autor etc. E cânticos sem sequência melódica.
Querem mais? Ou precisam de exemplos? Basta atilar os ouvidos para perceber como a nova hinódia da igreja é feita apenas para que se tenha sucesso no mercado discófilo; e, isto pagando um bom jabá!

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