Fenômenos meteorológicos e os fins dos tempos

Introdução: “Os Sinais, também”.
A primeira coisa que o Criador mencionou foi o propósito da criação dos corpos celestiais.
O texto de Gênesis 1.14-19 mostra que os astros foram criados, não apenas para dividir o dia da noite, e alumiar a terra, mas foram estabelecidos como “sinais” (signos, no latim) e “estações”, para mostrar os dias e os anos. “e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos”.
A figura de linguagem polissemia 1 enfatiza os quatro propósitos unindo-os, o que nos impele a separá-los e a considerar cada um deles separada e independentemente um do outro.
Sejam eles para sinais (signos).
O termo “sinais” vem do hebraico `õth e de `ãthah, o que vem. Sinais que indicam, portanto algo ou Alguém que virá. Os que entendem os sinais são por estes esclarecidos, mas os que não os entendem se “atemorizam”. “Nem vos espanteis com os sinais dos céus, porque com eles os gentios se atemorizam (Jr 10.2).
As estrelas são enumeradas e todas elas contadas. Existem doze sinais (signos) do Zodíaco, chamados de “as estrelas” em Gênesis 37.9 (onze das quais se prostraram diante de José, a 12ª). A palavra zodíaco quer dizer “graus”, “degraus” ou “passos” que assinalam a passagem do sol pelos céus e que correspondem aos doze meses do ano.
As estrelas foram todas enumeradas por Deus: “Conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome” (Sl 147.4). Muitos dos nomes das estrelas ficaram perdidos ao longo do tempo, mas cerca de cem nomes foram preservados nos idiomas árabe e hebraico, e são usados pelos astrônomos até os dias de hoje, se bem que estes desconheçam o sentido dos seus nomes. Muitos nomes são bem conhecidos nas páginas da Bíblia, ainda que a tradução seja meramente especulativa. Por exemplo em Jó 9.9: “Quem fez a Ursa, o Órion, o Sete-estrelo e as recâmaras do Sul…”. No hebraico o nome é `ãsh (Arcturo – traduzido na Revised Version como Urso), 2 kesil (Revised Version, Órion), kimãh (plêiades). Em Jó 38.31-33: “Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer a sua influência sobre a terra?”. As anotações às margens dos manuscritos chamam-na de mazzãrõth, os doze sinais, os sinais do zodíaco. Compare com 2 Reis 23.5: “Os que incensavam a Baal, ao sol, e à lua, e aos mais planetas, e a todo o exército dos céus”. E aqui aparece a mesma palavra hebraica `ãsh – arcturo com seus filhos; na versão revisada como o urso com seu trenó, sendo que as versões são incorretas quanto aos nomes. Veja Isaías 13.10: “Porque as estrelas e constelações dos céus não darão a sua luz; o sol, logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará resplandecer a sua luz”. E Amós 5.8: “Procurai o que faz o Sete-estrelo e o Órion, e torna a densa treva em manhã, e muda o dia em noite; o que chama as águas do mar e as derrama sobre a terra; SENHOR é o seu nome”.
Esses nomes e os doze “sinais” remontam à fundação do mundo. A tradição judaica preservada por Flávio Josefo assegura que esta astronomia bíblica teria sido inventada por Adão, Sete e Enoque. Evidências podem ser vistas em Gênesis 11.4 na Torre de Babel “cujo topo chegasse aos céus”. As palavras, “chegar aos céus”, sem dúvida, referem-se aos sinais do zodíaco, desenhados no topo da Torre, como o zodíaco no templo de Denderah e de Esnéh no Egito.
As “tábuas da criação” babilônicas referem-se aos astros, e seu sentido antigo pode haver se corrompido ou perdido. O mesmo ocorreu com a mitologia grega, que é a corruptela de uma verdade primitiva que foi perdida ou pervertida.
Temos de nos lembrar que o texto bíblico escrito teve início em Moisés, digamos em 1490 a.C. e assim, por mais de 2.500 anos, a revelação da esperança que Deus prometeu em Gênesis 3.15 foi preservada no nome das estrelas e seu agrupamento nos signos e constelações.
São agrupamentos praticamente arbitrários. Nada existe no posicionamento das estrelas que indique que os desenhos normalmente feitos ao redor delas sejam verdadeiros. Os signos e as constelações foram primeiramente designados e nomeados, e só então os desenhos foram feitos ao redor deles respectivamente. Assim, a verdade foi incrustada e escrita nos céus, onde nenhuma mão humana pudesse tocá-la. Mais tarde, quando Israel recebeu as “Escrituras da verdade” já não havia necessidade dos antigos escritos dos céus. Assim, o ensinamento original gradualmente cedeu, e os pagãos, tiraram conclusões do que haviam aprendido pela tradição, e se envolveram em suas cosmogonias e mitologias.
No próximo artigo falarei sobre a lua vermelha.

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Pastor, escritor, historiador e pesquisador bíblico

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4 Comments on “Fenômenos meteorológicos e os fins dos tempos”

  1. A graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo, pr. João.

    Sou apenas um curioso pelo assunto, mas por livros e testemunhos de irmãos que antes se envolveram até bem fundo com o ocultismo e que foram remidos pelo sangue de Jesus, juntamente com um pouco das minhas vivências com o Espírito Santo, me pareceu que alguns ensinamentos e práticas do ocultismo, ao contrário do que muito cristãos pensam, parecem ter íntima relação com verdades espirituais.

    Apesar disso, em particular, não entendia como os reis magos, por meio da astrologia de então, haviam sido conduzidos até o Messias. Uma estrela vista por eles desde o Oriente os serviu de guia conforme Mateus cap2 v9: “E tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino”. Eles não conheciam o bastante as Escrituras como me parece indicar Mateus cap2 v1 e v2, pois foram primeiro a Jerusalém atrás do novo rei ao invés de Belém conforme a profecia, mas foram guiados até o Messias pela tal estrela.

    Na verdade, desconhecia que as estrelas haviam sido estabelecidas por Deus desde a criação também para sinais.

    Estou equivocado em pensar assim sobre esta passagem do evangelho de Mateus, pr. João?

    Que Deus continue lhe abençoado!

  2. Irmão/pastor João,
    não é de hoje que ouço e leio do/acerca do irmão. Hoje, procurando algo sobre as profecia de Samuel Doctorian, achei seus posts e li os comentários (alguns bem sarcásticos a respeito). Bem, lembrei-me dos escritos de Doctorian devido a ter ouvido e lido algo bem parecido que envio ao irmão, para conhecimento (se é que já não o tem) e julgamento (‘julgai as profecias”).
    https://www.youtube.com/watch?v=i70xVWiy1kQ&feature=youtu.be
    Em Cristo!

    1. É bom saber que tenho pessoas assíduas em achar alguma coisa no meu site.
      Conheci e convivi por uns dias com Samuel Doctorian: Homem simples, que vivia no meio das pessoas, de sandálias e camisa fora das calças. Convivi com outros estrangeiros que eram muito esnobes, estes, sempre evitei interpretar para eles.

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