Maldições cumpridas

Quinze séculos antes do nascimento de Cristo, um dos maiores filósofos hindus, disse: “Se uma pessoa tem fé em que pode ser abençoada, também acreditará que poderá ser amaldiçoada”. Em outras palavras, se uma força existe, esta poderá ser usada construtiva ou destrutivamente, conforme o propósito de quem a profere. Se existem bênçãos, também existem maldições. O poder operacional é, necessariamente, em ambos os casos, o mesmo.

Maldições – e também bênçãos – eram crenças inquestionáveis por muitos séculos. Foi então que a ciência moderna passou a afirmar que a crença nessas coisas era própria dos ignorantes que ainda acreditavam nas tradições orais do passado. Mais tarde, com a descoberta da parapsicologia e das descobertas do poder da mente, alguns cientistas passaram a admitir a possibilidade de que, forças concentradas impregnadas de ódio ou amor podem desencadear boas ou más influências, assim como um pedaço de aço reage ao magnetismo. A vontade humana que é o maior dos magnéticos, quando usada conforme a lei que a governa poderá atrair condições construtivas ou destrutivas, que se manifestará no físico de uma pessoa.

Esta é uma teoria baseada no conhecimento de que toda espécie de matéria como rochas, terra e até mesmo o corpo humano são compostos de átomos que vibram compassadamente, são inteligentes – uma inteligência que os adeptos do passado e de pessoas mentalmente treinadas podem dirigi-la a um propósito determinado.

Talvez isso soe como contos de fadas, como os críticos costumam dizer. Como afirmou Sir Willian Crookes, um químico ao apresentar sua nova teoria sobre a composição da matéria: “Senhores, sei que o que lhes vou dizer pode parecer uma impossibilidade conforme as leis da natureza, mas, sem dúvida é uma verdade”.

Assim é uma maldição. As evidências mostram que “esta impossibilidade conforme as leis estabelecidas da natureza” é realidade. Podemos negá-la; afirmar que os acontecimentos são meras coincidências e não frutos de uma maldição. Em primeiro lugar, nem todas as evidências são falsas; em segundo, seria muita coincidência a repetição de certos acontecimentos.

A arte e magia dos egípcios

Os egípcios antigos eram mestres na arte da maldição. Um de seus ritos consistia em “amarrar”, representado na ideografia egípcia por uma corda com um nó; e pelas palavras através de mantras repetitivos em direção a um objeto ou a uma pessoa. A palavra era considerada – e ainda é – a grande força na arte da magia. As duas maiores fontes do poder de uma maldição estavam ligadas ao sentido da palavra e de seu som ou a vibração da voz. A palavra tinha de ser falada em certo tom, chamada de Ma-Khru, a voz perfeita, a palavra da verdade, que liberava o poder criativo ou destrutivo com a força de sua vibração.

As palavras de poder que eram parte dos mistérios de todo ensinamento teúrgico  eram formadas no Egito com a combinação de letras ideográficas que foram mantidas depois que o sistema fonético e gramático da escrita foi desenvolvido.

A maldição invocada para a proteção de uma múmia deve ter sido o principal objetivo dos egípcios, que criam na ressurreição literal do físico. A próxima encarnação, diziam eles, iria se utilizar dos mesmos átomos e elétrons, ainda que estas, obviamente, não eram as palavras por eles usadas. Sir Ernest Wallis Budge, menciona esta crença em relação ao corpo na sua tradução do Livro dos Mortos, e dos rituais de proteção da região do Nilo.  

Não existem dúvidas de que ao colocar um corpo numa tumba o sacerdote pronunciava certas palavras, fórmulas e orações, e é provável que o recital dessas palavras era acompanhado de certos cerimoniais… É provável que tudo isso era dirigido ao deus dos deuses da comunidade a favor dos mortos, e continha preces a favor da vida que o defunto levaria para o além-túmulo…

Nem todos os corpos de mortos parecem ter recebido a salvaguarda destes rituais. Existem múmias egípcias espalhadas por várias partes do mundo, e não existem notícias de que alguns desses arqueólogos tenham morrido prematuramente, ou talvez a morte deles não tenha sido noticiado pela mídia. Em alguns casos é possível que o sacerdote não soube trabalhar direito.

Em alguns casos, o ritual da amarração teve os efeitos esperados. A morte de Lorde Carnarvon depois de abrir a tumba de Tutancâmon foi repentina. O poder da maldição foi dirigido, possivelmente, contra o organizador do projeto; um ou dois de seus colegas também morreram.

As grossas paredes de vidro que protegem uma múmia no museu britânico se despedaçaram repentinamente, sem causa aparente, conforme um respeitado cientista e escritor. O acontecimento se deu em 1920, e desde então a múmia não está muito ativa. É claro que as autoridades do museu não reconhecem “oficialmente” nenhum episódio como este.

A maldição de uma múmia ocorreu num egiptólogo conhecido de nossa família, que abriu o sarcófago de um faraó não muito importante – não me lembro de qual dinastia o faraó pertencia. Ele obteve permissão para levar a múmia para a Inglaterra; mas, por alguma razão decidiu que queria apenas a cabeça da múmia – apesar das advertências escritas nos papiros encontrados dentro da tumba. Dizia a maldição que se alguém mutilasse a múmia de Faraó morreria tendo a parte mutilada do seu corpo, conforme a parte mutilada da múmia.

O professor que achava que maldição era história da carochinha levou a cabeça da múmia para a Inglaterra e começaram alguns fenômenos estranhos na casa dele. Ele levou a cabeça da múmia para a sua plantação de cana de açúcar de sua propriedade nas Índias Ocidentais. Ele era um bom patrão e seus empregados gostavam dele, no entanto, certo dia, enquanto cavalgava por seu canavial, seus empregados o derrubaram de seu cavalo e o mataram com correntes de ferro. Um de seus filhos se acidentou com a motocicleta e teve traumatismo craniano. Os problemas eram tanto, que a viúva devolveu a cabeça da múmia ao Egito e a maldição na família cessou.

A maldição do carro vermelho

Hoje, ainda que alguns de nós conheçamos as maldições tanto quanto os egípcios a conheciam, a arte de amaldiçoar não se perdeu na história. E até as máquinas são instrumentos de maldição.

O automóvel vermelho brilhante em que o arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa foram assassinados parece que era amaldiçoado. Eles foram mortos em Sarajevo em junho de 1914, mas não se sabe a origem da maldição.

O assassinato foi o gatilho que disparou a Primeira Guerra Mundial. Depois que a guerra estourou, o comandante da Quinta Corporação Austríaca, General Oskar Potiorek, cercou a casa do governador de Sarajevo, onde o carro vermelho havia sido guardado. Vinte e um dias depois que o General pegou para si o carro, ele foi desastrosamente derrotado em Valjevo, e perdeu seu cargo no exército. Enviado de volta a Viena em completa desgraça, viveu na pobreza. Finalmente ficou louco e morreu num sanatório.

O capitão que servira ao lado de Potiorek, se tornou proprietário do automóvel vermelho. Nove dias depois enquanto dirigia por uma estrada do interior, ele saiu da estrada e matou dois camponeses croatas, bateu numa árvore, arrebentou com o carro, e foi tirado sem vida das ferragens.

O carro foi consertado, e no final da Primeira Guerra Mundial o novo governador da Iugoslávia o adquiriu. Durante os quatro meses em que dirigiu o automóvel o governador teve quatro acidentes, e num deles perdeu o braço direito. Ele deu ordens para que o carro fosse destruído, mas alguém o persuadiu a vendê-lo para o médico Dr. Srkis, que ficou intrigado com o histórico de mortes daquele automóvel. Nenhum ser racional acreditaria que aquele carro fora amaldiçoado, ele disse. A má reputação do automóvel não passava de coincidências.

Durante seis meses todos achavam que ele tinha razão. Então, o carro e seu motorista foram encontrados ao lado da estrada. O carro havia capotado, e não houve muitos estragos. Ao lado estava o corpo do médico. Ao capotar, o carro rolou por cima do proprietário.

Foi então vendido a um joalheiro muito próspero, que o dirigiu sem qualquer problema durante um ano, e depois se suicidou. Outro médico o comprou, e antes que o carro lhe causasse algum dano o vendeu, porque descobriu que seus pacientes o abandonaram com medo que a maldição os alcançasse.

Seu próximo proprietário foi um piloto de corridas. Quando estava disputando uma corrida em Dolomite, o carro saiu da pista, bateu numa pedra e o piloto foi lançado do carro, vindo a falecer.

Um próspero fazendeiro de Sarajevo o comprou, arrumou a lataria e o dirigiu por vários meses. Certa manhã o carro enguiçou na estrada, e como não houve jeito de fazê-lo pegar, o fazendeiro persuadiu o proprietário de um carro que passava por ali para que o rebocasse até a cidade. Assim que o carro da frente começou a rebocar o carro vermelho, repentinamente este pegou. Começou a bater na traseira do carro que o rebocava, rompeu a corda, saltou fora da rodovia e seu proprietário foi lançado longe e morreu.

Amassado como estava, o dono de uma garagem, Tibor Hirshfeld, o adquiriu, consertou-o, pintou-o de azul e tranquilo pôs-se a dirigi-lo. Certo dia levava seis amigos para um casamento, quando colidiu com outro carro. Tibor Hirshfeld e mais quatro amigos morreram no acidente.

Então, o governo da Áustria, talvez por associar o carro ao assassinato de Franz Ferdinand, mandou consertar o carro e o colocou num museu de Viena, onde nunca faria mal a ninguém. Afinal, o carro tinha sido a causa da morte de 14 pessoas. Ele tinha sido o estopim da Primeira Guerra Mundial, e numa guerra foi destruído. Uma bomba das forças aliadas foi jogada em Viena sobre o Museu onde o carro estava guardado, exorcizando para sempre a maldição do automóvel vermelho.

O navio de guerra amaldiçoado

A trajetória do Scharnhorst segue na mesma direção do carro vermelho. A embarcação era um dos melhores navios construído pelos alemães, mas, como o carro, parece que possuía uma maldição. Era uma embarcação de guerra que podia levar quarenta mil toneladas de armas mortais, mas a popularidade desse navio de guerra não era das melhores entre os marinheiros alemães. Foi amaldiçoada, diziam os tripulantes. Ninguém queria servir naquela embarcação, apesar de ser um navio veloz, com canhões de longo alcance, seus equipamentos eletrônicos possibilitavam ver o alvo antes que o inimigo a visse.

O navio estava no deque seco sendo preparado para a guerra quando fez a primeira arte. Forçando as cordas que o prendiam, o navio adernou para um dos lados. Sessenta e três operários foram esmagados e 110 feridos. Reergue-lo não foi tarefa fácil, e os operários tinham de ser constantemente substituídos, porque muitos se afogavam. Ninguém queria trabalhar no navio, porque a fama se espalhou de que era uma embarcação amaldiçoada. Demorou três meses para ser reerguido, até que o trabalho fosse concluído e o leviatã de aço pudesse ser lançado ao mar.

O Scharnhorst era a última palavra em armas de guerra naval. A saída do navio para o mar era a oportunidade que os nazistas não poderiam perder, para impressionar as forças aliadas. Para a inauguração, Hitler, Göring, Himmler e todas as altas autoridades nazistas acorreram para o porto onde o Scharnhorst estava ancorado – ou deveria estar. O Scharnhorst, orgulho de Hitler, não esperou por ele. Na noite anterior o navio se desprendeu sozinho, esmagando algumas barcaças enquanto entrava rio abaixo.

A primeira empreitada em que o navio recebeu alguma publicidade foi durante o cerco a Gdansk. Uma peça publicitária preparada pelos alemães mostrava os potentes canhões do Scharnhorst deixando em pó o porto da cidade, mas o filme não mostrava a explosão de um dos canhões que matou nove tripulantes, e a cena em outra parte do navio onde a explosão do ar-condicionado deixou doze mortos.

No cerco a Oslo, o Scharnhorst se comportou pessimamente, pior do que qualquer outro navio alemão. Incêndios em várias partes do navio fizeram que o Scharnhorst fosse rebocado pelo Gneisenau. Manquejando durante a noite escura, escondendo-se dos bombardeiros britânicos de dia, uma noite alcançou o porto do Elba. Em seu caminho, escondido na escuridão da noite estava um dos maiores navios de guerra alemã, o Bremen. Os radares potentes do Scharnhorst não detectaram o Bremen. Quando viram o navio no caminho, os marinheiros não tiveram tempo de desviar o Scharnhorst a tempo. Em poucos minutos o Bremen afundou no lodo do rio Elba. O navio ficou tanto tempo fora de ação, que quando voltou ao mar, as forças de Hitler estavam se deteriorando.

O Scharnhorst, depois de algum tempo foi lançado ao mar para atacar um comboio dos aliados no mar Ártico. O navio, com seu equipamento de guerra potente e sua alta velocidade deveria cumprir sua missão com facilidade, mas devido a sua fama de navio amaldiçoado, não havia outro navio potente como este. O Bismark havia sido afundado; o Tirpitz jazia no fundo de um fiorde norueguês, e só sobrava o Scharnhorst. Amaldiçoado ou não era o que restava.

Quando navegou pelo Elba, desta vez evitando chocar-se com o Bremen afundado no lodo, enfrentou a escuridão da costa da Noruega para seu destino final. A escuridão o escondeu dos aviões aliados, e também não permitiu que sua tripulação avistasse um pequeno cruzador britânico, que estava ancorado para conserto dos motores. O Scharnhorst passou tão pertinho do navio britânico que quase tocaram casco com casco, o que permitiu que o capitão britânico desse o alarme. Dentro de pouco tempo a frota britânica estava no calcanhar do Scharnhorst.

O Scharnhorst era mais rápido que a frota inglesa, e alguns tiros foram lançados na direção do navio alemão. O capitão de um dos navios da frota inglesa atirou a esmo na escuridão, já que nem sabia onde o navio alemão estava. Naquele momento, aparentemente o Scharnhorst conseguiu se desviar. E se desviou exatamente na direção da frota inimiga. Enquanto o navio sacudia pelas bombas que o atingiam, os navios ingleses em seu encalço o bombardearam tanto, que o Scharnhorst afundou.

Dois dos sobreviventes alcançaram a terra a bordo de um barco de borracha, mas não escaparam da fúria da maldição do Scharnhorst facilmente. Meses depois foram encontrados mortos, devido a explosão de um fogão a óleo.

Uma maldição impessoal parece ter sido a motivação tanto do navio quanto do automóvel vermelho. Algumas maldições são mais específicas em seu propósito. São imprecadas por uma pessoa, por alguma razão, como foi a maldição dirigida na Sicília anos atrás contra uma pessoa.

A maldição siciliana

No final da década de 1940 surgiu na Sicília uma campanha para prender Salvator Giuliaro. Era ele o mais famoso bandido dos tempos modernos, líder de uma organização que queria a independência da Sicilia. Ele agia como um rei. A prisão de Giuliano vivo ou morto era prioridade para as autoridades – mas ninguém, sequer a polícia do governo, o serviço secreto ou o exército conseguiam localizá-lo para o prender. A cada tentativa, um fracasso.

Então, Giuliaro de 27 anos de idade foi encontrado morto crivado de balas. Ninguém sabia quem o teria matado, e ninguém se manifestou para receber a recompensa. Sua mãe, beijando os ferimentos no corpo de seu filho, com os lábios manchados de sangue, disse: “Meu sangue… eles o traíram”. E amaldiçoou os traidores.

Mais tarde, Gaspare Piscotta, amigo de Giuliano foi preso, acusado de assassinar Giuliano e outras pessoas. No dia 9 de fevereiro de 1954, enquanto esperava por julgamento na prisão, Piscotta começou a gritar como se estivesse sendo sufocado; morreu uma hora depois. Nenhuma causa de morte foi detectada. Três semanas depois, oito pessoas que supostamente ajudaram a trair Giuliaro morreram violentamente.

Conforme os códigos da Sicília antiga estas eram provas de culpa; uma maldição para ter efeito tem de ser proferida numa base justa. Se uma pessoa é destruída, ela deve ter feito alguma coisa para merecer a maldição.

Maldição sobre a dinastia Hapsburg

A dinastia dos Hapsburg foi amaldiçoada duas vezes – e dizem, com razão. A primeira vez por um sacerdote húngaro, quando a Hungria foi anexada ao império austríaco, e noutra vez pela condessa Karolyi da Hungria, cujo filho foi morto durante a revolta contra os austríacos. O imperador Franz Josef da Áustria foi alvo dessas duas maldições: Foi ele quem ordenou a invasão da Hungria e a morte do filho da condessa.

Em meio ao sofrimento pela morte do filho (emoção é um dos fatores importantes para que uma maldição se cumpra) a condessa gritou: “Que os céus e o inferno se lancem contra Franz Josef e destruam sua felicidade. Que sua família seja exterminada e que ele seja atacado pelas pessoas que ele mais ama. Que sua esposa se torne em frangalhos e que seus filhos encontrem desolação e ruína”.

Uma por uma as maldições se cumpriram. O irmão de Franz Josef, Maximiliano, homem bem intencionado, mas fraco emocionalmente foi levado na expedição fracassada de Napoleão III da França, para lutar contra os mexicanos e foi morto por um esquadrão revolucionário do México. Sua esposa Carlota estava em Roma para interceder junto ao Papa a favor de seu esposo e, ao ouvir em Roma que seu marido morrera, ficou louca.

Franz Josef se casou com uma mulher jovem, prendada com quem vivia alegremente, mas começaram a brigar devido ao temperamento agressivo de ambos. Elizabeth começou a traí-lo com amantes, e rumores corriam de que ela era psicótica. O imperador era de péssimo caráter, por isso alienou-se de sua esposa, e mais tarde de seu próprio filho herdeiro da coroa, o Príncipe Rudolf. Ele achava Rudolf um rapaz irresponsável, brigavam e discutiam. Por fim, o imperador nem mais conversava com o filho, o que levou o rapaz a se tornar um playboy da época. Escândalos de todo tipo assombravam o império austríaco, e o principal foi quando o príncipe foi encontrado morto ao lado de sua amante, a baronesa Maria Vetsera, na cabana de caça em Mayerling.

Durante muito tempo depois da morte do filho Elizabeth ficou enferma, e depois que se recuperou passou a viver em reclusão. Depois, passou a se prostituir e a viajar para fora da Áustria. Quando estava em Genebra em 1898, no caminho do hotel para o lago onde tomaria um barco foi esfaqueada por um esquerdista e morreu algumas horas depois.

Tragédias seguidas minaram a família de Franz Josef. Sofia, duquesa de Alençon, morreu queimada em Paris. A arquiduquesa Matilda morreu queimada quando seu vestido de roda pegou fogo. O arquiduque John da Toscânia desapareceu em alto mar; o arquiduque Wilhelm Franz Karl morreu ao cair do cavalo. O rei louco da Bavária Ludwig suicidou-se por afogamento. O conde Ludwig de Trani se suicidou também.

Outros parentes se tornaram excêntricos ou foram vítimas de complôs políticos. No ano de 1914 o imperador e sua esposa foram mortos a tiros em Saravejo por um estudante sérvio, Gavrilo Princip. Este foi o começo das maldições que culminaram na morte de Franz Josef que aos 89 anos de idade  ainda viu a revolução eliminar seus descendentes com a Áustria tornando-se uma república.

A Hungria está na lista de maldições que afetou outro rei. O rei Alfonso XII da Espanha, que recebeu um presente valioso – um anel que carregava consigo uma maldição a qualquer pessoa que saísse com ele da Hungria. No dia de seu casamento Alfonso deu-o de presente à sua noiva – que morreu tempos depois. Ele o presenteou a sua cunhada, que morreu tempos depois. Alfonso decidiu usar o anel – e ele mesmo morreu doze meses depois. O anel foi enviado a uma igreja de Madri para ser exorcizado.

O Diamante da Esperança

Alfonso ignorou a maldição, e também os que se tornaram donos do Diamante da Esperança, que provavelmente carregava com ele uma maldição mais pesada que qualquer outra joia existente no mercado.

Era ou talvez seja o maior e mais perfeito diamante azul do mundo, pesando quarenta e quatro quilates e meio. (Um quilate é uma unidade de peso de 20 centigramas utilizadas como padrões para joalheiros). Seu tamanho era de dois centímetros e meio por 1 centímetro. O diamante foi roubado da cabeça de uma imagem de Buda. A maldição estava escrita ali mesmo: “Esta pedra foi consagrada a Deus. O profano que a tocar sofrerá infortúnios e morte violenta”.

O rastro de assassinatos, loucura e violência se estendeu a cada proprietário. Depois de tirado do Buda, as mortes e infortúnios começaram com Jean Baptiste Tavernier, famoso viajante e ourives francês que trouxe o diamante azul do Oriente e o vendeu a Luiz XIV em 1668. Luiz ficou fascinado com a posse de tão magnificente  diamante, e como agradecimento deu títulos de nobreza a Tavernier, que com dinheiro e títulos adquiriu terras em Aubonne, próximo a Genebra. Depois de um ano cheio de infortúnios, morreu em Moscou, em extrema pobreza.

Willen Fals de Amsterdam, que foi solicitado por Luiz para cortar a pedra, mal tinha começado sua tarefa quando tudo começou a dar errado. Sua empresa, que era próspera, faliu. Seu filho se suicidou. Ele próprio morreu em completa ruína.

Luiz XIV só veio a morrer em 1715, e durante este tempo ele quase destruiu a França. A guerra que ele conduziu por anos deixou a França quase destruída, depois de uma série de derrotas e a assinatura do tratado de Paz de Utrech. Os dois filhos de Luiz e um neto morreram prematuramente.

O reino de Luiz XV, o bem amado, que herdou o diamante azul foi de desastres, problemas financeiros e miséria total. A vida de luxúria enfraqueceu seu físico, de sorte que quando um surto de sarampo veio sobre a Europa, Luiz XV pegou o sarampo e morreu.

Luiz XVI tornou-se o próximo dono do diamante azul. Era uma das joias favoritas de Maria Antonieta, e ocasionalmente ela o emprestava à sua melhor amiga, a princesa de Lambelle. Todos os três morreram no Reino de Terror. Maria Antonieta guilhotinada.

O próximo dono foi Francis Beaulieu. Depois que este morreu de fome na prisão, não se teve notícias do diamante azul por vários anos, até aparecer repentinamente no mercado de joias quando foi adquirido pelo banqueiro Thomas Hope por 90 mil dólares. O diamante parece ter ficado inativo enquanto Thomas Hope era o proprietário.

Seu próximo dono foi um joalheiro de Nova Iorque, Samuel Frankel, mas este não teve muita sorte. Logo que se tornou o dono do diamante, sua empresa começou a ter problemas e foi a bancarrota. Antes de falir, decidiu vender o diamante para Colin Broku. Mesmo tendo vendido o diamante para o príncipe Kanitovsky, não escapou da maldição; ficou louco e se suicidou logo que recebeu o dinheiro.

O príncipe Kanitovsky deu o Diamante da Esperança à sua noiva, uma linda mulher, atriz no Folies Bergégeres.  Na noite em que um novo show era apresentado ela se apresentou com o diamante pendurado ao peito – que valia mais que o teatro e todas as joias ali usadas – ostentando orgulho e desprezo.

O grande triunfo de Lorena Laduc chegou logo ao fim. Enquanto os holofotes despejavam seu facho de luz sobre ela, seu amante, que estava sentado num balcão superior atirou nela matando-a na hora. Foi uma atitude irracional, um assassinato sem motivo algum num momento de loucura do príncipe. Dois dias depois da morte de Lorena, e antes que todos suspeitassem do príncipe, um grupo de terroristas russos invadiu a casa dele e o matou.

O diamante foi adquirido por Montarides, um grego. Pouco tempo depois de adquiri-lo, ele, sua esposa e filhos foram capturados por uma brigada policial e atirados de um precipício.

Durante bom tempo não se soube por onde andava o Diamante Azul. É visto tempos depois decorando o decote de Salma Zubata, a francesa favorita do ex-sultão Abdul-Hamid. Ele comprou o diamante e a presenteou.

A maldição da joia já andava fazendo estragos antes de cair nas mãos do Sultão. O Sultão a enviou a um joalheiro, Abu Sabir para ser polido. Abu jurou que o diamante nunca chegara às suas mãos e foi colocado na prisão, até que seus sentidos voltaram ao normal. Enquanto isso foi encontrado nas mãos de um carcereiro. Este morreu misteriosamente estrangulado. Parece que não conseguiram um lugar seguro para guardá-lo, porque um eunuco o roubou. Mas o roubo foi descoberto, o ladrão preso, e sumariamente enforcado em Constantinopla num poste de iluminação pública.

Depois desse interlúdio sanguinolento o diamante azul retornou às mãos do Sultão que o presenteou a Salma. Não tardou para que ela fosse morta pelo Sultão, quando um grupo político de turcos irrompeu o palácio. Possivelmente o Sultão fez isso para livrá-la de morte pior nas mãos dos invasores. Os jovens turcos levaram o diamante com eles e o venderam a Mr. Habib, que morreu afogado logo depois em Singapura. O sultão conseguiu escapar vivo de sua propriedade, perdeu seu diamante e foi deposto de seu reino por um complô policial.

Em 1911, Edward McLean, dono do Washington Post comprou o Diamante Azul de Cartier, o famoso joalheiro francês por 260 mil dólares. Sua esposa que conhecia a história da jóia e os estragos que fazia, contrariou tanto a compra que o marido teve de devolvê-lo. Carter acionou McLean na justiça que concordou em devolver o diamante por 180 mil dólares em Janeiro de 1912. Ele o fez contrariado. Em seguida a mãe de McLean morreu de pneumonia. E este foi apenas o começo das maldições na família.

O dono do Washington Post tinha um menino de dois ou três anos de idade, Vinson, quando adquiriu o Diamante da Esperança. O menino era o único herdeiro dos dois lados da família para herdar a fortuna de McLean ou a fortuna dos Walshes (por parte de mãe) que incluíam as minas de ouro de Camp Bird, uma das mais ricas do Colorado. Sem saber que era herdeiro de tanta fortuna o menino era riquíssimo, e já era herdeiro de propriedades de um tio por parte de mãe que morrera num acidente de carro. A fortuna do menino Vinson estava estimada naquele ano em 150 milhões de dólares, e o menino começou a ficar conhecido como “a criança mais rica do mundo”.

Todas as medidas de segurança foram tomadas para que o menino crescesse sem sofrer dano algum, e a criança ficou incomodada com tantas restrições. Só saía de casa cercado por seguranças e as casas onde morava tinha cercas de ferro limitando o espaço do menino – coisa incomum naquele tempo nos Estados Unidos da América. Um dia, no entanto, ele saiu para fora do pátio, e brincava próximo ao portão de entrada da mansão quando um carro desgovernado, dirigido por uma mulher atingiu o menino de milhões de dólares. Ele ficou tão ferido que morreu algumas horas depois.

Existe ou existiu outro diamante da mesma qualidade e idêntico ao Diamante da Esperança. O especialista em joias, Edward Streeter que o examinou acreditava que aquele diamante fora cortado do Diamante da Esperança por Tavernier. E este possuía uma maldição semelhante cuja trajetória de mortes foi idêntica.

A pequena gema ficou conhecida como Diamante Gota Azul de Brunswick e desde que a família Brunswick o adquiriu, tragédias e mais tragédias ocorreram na família.

A primeira seta alcançou o Duque Willian Charles Ferdinand que morreu violentamente na batalha de Jena em 1806. Logo depois morreu o herdeiro. Seu segundo filho abdicou do reino. Frederik Willian, o próximo na linha de sucessão foi morto em Quatre-Bras. O Duque de Cumberland, que se tornou Duque de Brunswick, quando seu parente Duque Willian morreu em 1884 e perdeu seu herdeiro num acidente de carro, foi o próximo. O segundo filho, a quem ele solicitara assumisse o trono em Outubro de 1912 casou-se com a única filha do Kaiser alemão. Depois da guerra de 1914-1918 (Primeira Grande Guerra), as terras foram anexadas à República Alemã, e a casa dos Brunswick desapareceu na história.

O poder da palavra de maldição

A prova de que as palavras têm poder e podem impregnar um objeto dando-lhe poder e influência sobre coisas do nível material foi-me fornecida por Gerald Yorke o erudito em questões orientais e pesquisador do ocultismo.

Depois da morte de Aleister Crowley, a quem Gerald Yorke conhecia muito bem e nutria por ele grande respeito por suas qualidades na magia e nas artes ocultas, um homem que tinha sido amigo de Crowley quinze anos antes trouxe a Gerald Yorke uma coleção de livros com fórmulas mágicas. Yorke sabia que Aleister Crowley havia deixado em vida a coleção de livros com fórmulas mágicas para ser entregue a um museu, e ameaçou quem os retivesse para si. Mas, este antigo amigo de Crowley tinha uma sina em possuí-los e não deu ouvidos às palavras de Gerald Yorke.

Ele se apossou dos livros com fórmulas de magias – mas pagou um alto preço. Uma doença obscura, que não pôde ser diagnosticada acometeu seu corpo, e nenhum tratamento deu certo. Ele aos poucos foi ficando pior. Enfim, vendo que ia morrer decidiu que os documentos deveriam ser enviados para o museu escolhido por Alex Crowley antes de falecer. Entregou-os a Mr. Yorker que se encarregou de arrumar um jeito de deixá-lo no museu. Mr. Yorker me relatou que enquanto os livros de magia estiveram na casa dele – antes de serem entregues ao museu – sua esposa que nunca tivera um problema de saúde, começou a passar mal com fortes dores no pescoço, que desapareceu logo que os livros foram deixados no museu. Da mesma forma, o homem que estava quase morrendo, depois que se viu livre dos livros ficou curado.

A maldição do trompete

A famosa casa de leilão de Londres, Christie que costuma leiloar objetos de arte e de antiguidades, não seria um lugar ideal para maldições. Mas, uma maldição proferida antes da venda do trompete de Charles II ocorreu em Outubro de 1967.

O trompete, conhecido como Luck de Woodsome Hall, conforme a tradição só poderia ser tocado em ocasiões especiais, do contrário as desgraças viriam sobre a pessoa. Dois donos que não sabiam da maldição não viveram muito tempo depois de adquiri-lo. Um morreu numa empreitada de caça e o outro se suicidou.

Os leiloeiros da Christie, não ligaram para o que diziam da maldição e pediram que o musicólogo Eric Halfpenny tirasse do trompete um som especial antes que o trompete fosse a leilão. O trompete foi adquirido por Michael Dalgleish que o presenteou ao seu filho de 13 anos que não sabia dos termos de uso do trompete.

Maldições familiares

As maldições lançadas sobre uma família inteira, de geração em geração parece hoje coisa do passado. Hoje existem poucos exemplos; quem sabe o manto das maldições pertencia às velhas e ricas mansões do passado. E, em alguns casos as maldições se cumpriram levando famílias inteiras a desaparecerem da história.

Por exemplo, a linha genealógica direta dos Sheridans desapareceu para sempre. A maldição lançada sobre a família de que o herdeiro nunca tomaria posse, e que morreria sempre ao redor dos vinte e um anos de idade, cumpriu-se em cada geração. Quando o escultor Clare Frewen, primo de Winston Churchill se casou com uma Sheridan, quem (como segundo filho) se tornou chefe da família, nasceu-lhe um menino. Este era o herdeiro, e não haveria outro porque o esposo faleceu na guerra de 1914. Se a maldição se cumprisse a linhagem desapareceria. A data crucial, o dia em que fez 21 anos de idade chegou e nada aconteceu. O moço continuou vivo. Talvez a maldição tivesse chegado ao fim.

… Algumas semanas depois de alcançar a maioridade, o filho de Clare Sheridan fazia um tour pela Europa quando pegou uma pneumonia e morreu.

A linhagem dos Derwentwater sobre quem uma maldição foi lançada desapareceu completamente da história. Um sinal de alerta viria, dizia uma antiga profecia, quando o cumprimento da maldição estivesse para acontecer.

Quando uma filha de plátano verde se tornar avermelhada

O último homem morrerá em sua cama sangrenta

A raposa e a coruja habitarão nos casarões,

O morcego e a aranha subirão pelas paredes,

As terras de sua casa mãos fortes a tomarão

E o nome de sua raça será extinto para sempre.

Os Derwentwaters eram uma família católica. Tiago, o último homem, foi pressionado por seus correligionários a fazer parte da rebelião dos jacobinos contra o rei George I. Mas, ele não queria de maneira alguma se envolver. Finalmente, contra a vontade aderiu aos insurgentes. Dizem que ele tomou a decisão quando cavalgava por suas terras. Parou onde estava junto a um córrego chamado Águas do Diabo. Olhando pra cima, ele viu entre a ramagem verde de um plátano uma prematura folha vermelha.

Tiago e seu irmão mais novo Charles lutaram ao lado dos jacobinos em Preston e ambos foram capturados pelo General Henry Lumley, comandante das forças do rei. Tiago foi enviado para a torre Devereux na torre de Londres. Nove dias depois, em seu julgamento, ele se considerou culpado da insurreição, e suplicou que seus colegas inexperientes também se considerassem culpados e pedissem clemência ao rei. Pra ele não houve clemência: Foi condenado à morte.

Inúmeros apelos foram enviados ao rei pedindo clemência a Tiago Derwentwater. Três de seus colegas de prisão foram soltos, mas George I influenciado por Robert Walpole, que dizem haver oferecido sessenta mil libras pela captura de Tiago, não quis poupá-lo. Tiago (James) Radcliffe, Lord Derwentwater teve a cabeça decepada na torre Hill no dia 24 de fevereiro de 1716. Tinha vinte e sete anos de idade.

Seu irmão mais novo, Charles, que nascera em 5 de setembro de 1693 foi também sentenciado a morte. Ficou preso em Newgate. Este iria ser perdoado, mas, na primeira oportunidade fugiu da prisão com outros treze prisioneiros. Conseguiu alcançar o continente e se uniu à família Stuart, e durante algum tempo foi secretário do Príncipe Charles Edward.

Em 1724 se casou com Charlotte, a rica viúva de Thomas Clifford. Antes e depois de seu casamento Charles saiu e entrou na Inglaterra secretamente sem ser descoberto, até que em 1745 foi preso em Dogger Bank num navio francês que levava armas para Young Chevalier.

 Levado para a Torre de Londres foi condenado à morte conforme a sentença anterior. Charles Radcliffe o último na linhagem foi decapitado em 8 de dezembro de 1746. Aquele dia a maldição se cumpriu: “E o nome de sua raça será extinto para sempre”. E a profecia da cigana se cumpriu. Ao ler a mão de Charles quando ele era ainda moço de quinze ou dezesseis anos, ela lhe disse que tudo o que via nele era um machado cheio de sangue, com a Lâmina caindo sobre ele.

Extraído de “They Foresaw the Future”, por Justine Glass

Tradução de João A. de Souza Filho do capítulo doze: Maldições Cumpridas

17 thoughts on “Maldições cumpridas

  1. Deus nosso Pai, tenha misericórdia de nós e nos proteja da ações do inimigo e suas hostes, em Nome e pelo Sangue derramado na cruz por nosso Senhor Jesus Cristo, eu oro. Amém e amém!

  2. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;
    Gálatas 3:13
    Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
    Romanos 8:1

    1. Sim André. Cristo nos resgatou da maldição da lei – mas aqui não se tratam de maldições da lei. Mas, maldições diversas. As da Lei de Moisés, sim, estamos resgatados. Veja bem. Cristo levou sobre si na cruz todas as nossas enfermidades, e ficamos enfermos. Seria bom o irmão analisar este aspecto. Qualquer coisa, tenho alguns subsídios a lhe dar para seu estudo.

      1. O que o pastor quis dizer com essa resposta? Que se o crente ainda pode ficar doente, pode também sofrer as consequências de maldições proferidas por outros? Boa tarde!

  3. A paz de cristo, tentarei ser o mais breve possível. Vi os livro do pastor sobre “batalha espiritual” e acredito que o senhor poderia me dar uma orientação mais adequada.
    Conheci uma moça crente, que antes dela se converter, via vultos, demônios. Morava em frente a um centro espírita. A avó dela também era feiticeira.

    Hoje, convertida há mais de 15 anos, tem o melhor testemunho cristão que já vi, é fiel a Deus, ama o Senhor Jesus. Mas até hoje, de vez em quando, ela continua vendo demônios. Questionei, pois não creio que isso seja normal,porém ela me disse que antes ela via porque era pertubada, hoje ela os vê porque Deus deu a ela essa capacidade, uma espécie de dom. O estranho desse tal “dom”, é que ela não vê os demônios na vida de pessoas sem Jesus, ela os vê na sala da casa, outra vez do lado da sua cama, etc. Ela os repreende, mas vez ou outra eles aparecem de novo.
    Portanto, se for possível, gostaria de saber a posição do pastor sobre esses fatos. Se é possível que essas visões sejam da parte de Deus. Para mim, seu comentário é de grande valia . Amo minha irmã e quero o melhor para vida dela. Aguardo resposta. Deus te abençõe.

    1. Jorge, meu irmão.
      É comum uma pessoa que se envolveu com espiritismo de qualquer espécie e que via aparições ou demônios voltar a vê-los depois de convertida. Os demônios jamais desistem de aparecer. Mas, também a pessoa crente desenvolve grande sensibilidade espiritual para perceber o mundo dos espíritos. Não existe nada de novo nisso. Como pastor sinto a presença de demônios onde quer que esteja, e sei quando um ambiente está livre deles e cheio da presença de Deus.

      1. Obrigado Pastor João pela atenção.Compreendi a questão da sua sensibilidade em relação ao mundo dos espíritos, pois a tenho também.Foi desenvolvida pela graça de Deus, mas conheço minhas limitações. Às vezes,sinto a presença de espíritos maus agindo, de alguma forma, em determinadas pessoas, mas nunca senti isso em relação a uma cristã, uma ótima cristã, dai eu querer a opinião de alguém mais experiente.
        Mas o senhor me deixou com outra dúvida no início do seu comentário: “É comum uma pessoa que se envolveu com espiritismo de qualquer espécie e que via aparições ou demônios voltar a vê-los depois de convertida.”
        O espiritismo,sob qualquer de suas formas e ações,pode abrir portas,(creio eu por meio do mal) para que determinadas pessoas passem a ver demônios,mas mesmo depois de convertidas a Cristo é comum continuarem vendo as tais aparições e demônios que eram produzidas pelo mal? Hoje,sem Cristo, as visões são produzidas pelo mal. Amanhã,com Cristo, as mesmas visões de demônios são produzidas por Deus? Ajude-me a entender, por favor!!! Deus o abençõe e te de sabedoria em nome de Jesus!!

        1. A sensibilidade ao mundo dos espíritos é algo da alma de uma pessoa. O que se deve ter cuidado é que uma pessoa que tinha sensibilidade para ver e tratar com os espíritos quando não era cristã, que, aos poucos essa sensibilidade volte sem que ela perceba e a confunda, achando que é de Deus, quando não é. Por outro lado, uma pessoa que tinha sensibilidade no mundo espiritual, agora, ao se converter, pode ter sensibilidade dada pelo Espírito De Deus. É um terreno extremamente perigoso.Pastoralmente cuido muito estes aspectos, e recomendo às pessoas que vieram do espiritismo que amadureçam em Cristo – e isto leva anos – antes de começarem a usar um do espiritual nesta área, em que tantos espíritos circulam e enganam as pessoas.

          Pastor João

          1. Pastor João, muito obrigado pelas respostas e principalmente pela atenção. Deus o abençõe.Lembrarei do senhor em minhas orações…
            a paz do senhor.

            “Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;
            Colossenses 4:3

  4. Abençoado Pastor Antônio! Estou impressionada com seu livro A Arte da Guerra Espiritual, comprei na banco do Pr. Josué Gonçalves nos Gideões Missionários em 2011, e doei ao meu pai, passado 2 anos e agora q li, as experiências vividas pelo senhor no combate contra as forças do mal são impactantes, já li mais de 300 livros e confesso q nenhum me impressionou tanto como o seu, gostaria de saber seu e-mail, para conversar melhor com o senhor sobre alguns temas, e, a partir de agora, irei divulgar o seu ministério nos quatro cantos da terra, vi sua agenda e pretendo ir em Alvorada RS para lhe ouvir. Att. A paz do Senhor.

    1. Obrigado, Mariana pelas palavras de incentivo. Não sei onde a irmã reside. Em Alvorada, estarei pregando sobre a questão da música na igreja; já que este é o tema que me deram, mas, sempre inclui alguma coisa de batalha espiritual.

  5. Olá pastor. A paz do senhor Jesus. O senhor me deu umas orientações uns meses atrás, sobre pessoas que viam vultos e demônios, estão ai nos comentários.

    Pois bem,em nossa conversa, eu mencionei que acreditava que determinadas pessoas, sem cristo, tinham condições de ver aparições de espíritos por meio do mal(ação de espíritos), mas o senhor disse que seria uma “sensibilidade da alma”. Nunca esqueci dessa declaração e hoje vim perguntar o que exatamente o senhor quis dizer com “sensibilidade da alma”. Eu entendi que o senhor quis dizer que a pessoa nasce com ela? é isso? e se for isso mesmo, que a pessoa nasce com essa “sensibilidade”, por que ela só veria demônios? por que não vê os demais seres espirituais, como por exemplo anjos?
    Desculpe incomodá-lo, mas já estou com essa dúvida a muito tempo e gostaria de saber sua posição, por que para mim a vida é um eterno aprendizado. Deus o abençoe rica e abundantemente. Obrigado!!!

    Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento,
    Provérbios 3:13

    1. Bom dia Jorge.
      Analise comigo pela seguinte perspectiva: Todos nascemos com desejo de adorar a Deus. Alguns, nesse anelo, adoram a Deus em forma de algum objeto ou animal, e, quando conhecem a Palavra de Deus se voltam a Deus e passam a adorá-lo, de fato, em espírito e em verdade.
      Esse “espírito” que Deus colocou dentro de nós não é independente da alma (razão, vontade e intelecto), mas interage com ela. Através do espírito do próprio homem este consegue ver as coisas espirituais, sejam de Deus ou não. Quando a pessoa se converte, seu espírito fica mais voltado para as coisas de Deus, mas, isto não significa que não veja as coisas do mal. Este tema Paulo aborda em 1 Co 2.6-16.
      Por isso Deus o Espírito Santo concede o dom de discernimento de espíritos ao crente. Este dom permite que o crente identifique corretamente quando existem espíritos do mal, num ambiente, numa pessoa ou que lhe esteja atormentando; e permite identificar se são anjos de Deus em operação, e até mesmo se numa reunião é o espírito humano (espírito de incredulidade, de adultério etc. que esteja presente incomodando os irmãos). Assim, não é somente o mal que essa sensibilidade da alma pressente numa pessoa ou ambiente, mas também as coisas boas.
      A experiência indica que quando um crente em Cristo entra em contato com uma pessoa de religião ocultista, esta pessoa logo diz, que “vê um espírito de luz”, no crente, sem saber que ele é um crente! Assim, uma pessoa da religião de ocultismo pressente no ambiente a presença do espírito de Deus.
      Qualquer dúvida, volte a escrever.
      Pastor João A. de Souza Filho

  6. Boa tarde querido pastor. Muito interessante e esclarecedor! Mas não entendi algumas partes. Vamos lá: “Esse “espírito” que Deus colocou dentro de nós não é independente da alma (razão, vontade e intelecto), mas interage com ela. Através do espírito do próprio homem este consegue ver as coisas espirituais, sejam de Deus ou não.”

    1ª pergunta: sendo assim, por que não são todas as pessoas( não crentes) que veem ou ouvem alguma coisa do mundo espiritual? ( digo ver ou ouvir, não uma vez na vida, mas de vez em quando)

    2ª pergunta: O fato de eu ter associado essa sensibilidade (do não crente) com ação de espíritos é que das 10 pessoas que eu conheço, incluindo eu,(sem contar os vários casos que já ouvi), que viam ou ouviam algo espiritual, 9 dos que se converteram a Jesus pararam de ter essas experiências. Se era somente algo do nosso espírito, por que pararam?

    3ª “Quando a pessoa se converte, seu espírito fica mais voltado para as coisas de Deus, mas, isto não significa que não veja as coisas do mal.”

    Concordo plenamente, mas e as pessoas, que antes de se converter viam demônios, e após convertidas, ficam limitadas somente com a visão de demônios? Se ela tem essa sensibilidade natural, e agora voltada para as coisas de Deus, por que não vê anjos por exemplo?

    Pastor, eu tenho essa amiga que tem essa visão limitada. DE vez em quando ela vê um demônio. Via desde criança sem Jesus, e vê depois de convertida. O caso dela me intriga, pois como disse, todos que conheço pararam de ter essas experiências, menos ela. Ver para que? Qual propósito em ver um demônio andando na sala da casa, ou no quarto, ou em outro lugar? Para ela já virou uma rotina, algo normal, Pois vê Desde pequena. No que isso edificaria ela ou a igreja? Estou tentando entender, do fundo do meu coração, pois não quero cometer nenhuma injustiça.

    Obrigado mais uma vez por sua atenção e dedicação. A paz de Cristo para sua vida!!!

    1. Algumas pessoas são mais sensíveis que outras. Ainda outras pessoas resolvem racionalizar sonhos e visões e aparições como coisa da mente. Assim, precisaria ouvir o caso de sua amiga para ter uma ideia clara do que ela está passando.

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