A batalha de nossa bênção espiritual

Texto: Efésios 1.3-23

Introdução.

A Escritura declara que fomos abençoados “com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo Jesus” (Ef  1.3). Pedro fala em Atos 2.26 que a bênção de Deus tem como objetivo levar-nos ao arrependimento! Isto significa que o mundo espiritual em Cristo é um lugar de recursos espirituais para todos nós!

Várias vezes aparece nas escrituras a expressão regiões celestiais, ou lugares celestiais. É isso o que Paulo fala várias vezes no livro de Efésios.  Vejamos:

1. Efésios 1.3: “Abençoados com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”.

2. Efésios 1.20: Depois de ressuscitado Cristo foi se assentar nos lugares celestiais.

3. Efésios 2.6 diz que nós também ressuscitamos em Cristo e Deus “nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo  Jesus”.

4. Efésios 3.10 diz que a igreja vive nos lugares celestiais. Ela é chamada a servir e a proclamar a Deus nos lugares celestiais.

5. Efésios 6.12 diz que nossa luta passa a ser nas regiões celestes ou lugares celestiais.

Que são as “regiões celestiais?” É uma posição geográfica espiritual que não pode ser vista com os olhos terreais.

A luta entre Cristo e os demônios se travou no âmbito espiritual. Olhando da terra era apenas mais um homem morrendo na cruz: olhando para o mundo espiritual podia-se ver uma grande batalha sendo travada em favor das almas dos homens!

I. A Vitória foi ganha na cruz do Calvário.

Eis a razão de porque algumas bandas de roque zombam da morte de Jesus. Porque o inferno não aceita sua derrota e inspira músicos e cineastas a escreverem contra a cruz. Uma das músicas dos Rolling Stones “Sympathy for the Devil”, (Compaixão pelo Diabo) de Mick Jagger diz: “Eu estava lá quando Jesus Cristo teve seus momentos de dúvida e dor, e certifiquei-me de que Pilatos lavasse suas mãos selando seu destino”.

John Lennon dos Beatles, disse: “O cristianismo passará. Desaparecerá e murchará. Quanto a isto nem preciso argumentar. Estou certo e provarei que estou certo. Somos mais populares que Jesus”.  A arrogância de Jagger e de Lennon demonstra um total desconhecimento sem saber o que estão dizendo. Eric Holmberg, diretor do Reel-to-Reel Ministries, produziu um vídeo sobre o que os “filósofos” da música roque contemporânea dizem sobre Jesus Cristo. “Jesus é a pessoa mais ridiculizada na música rock. Nenhuma outra pessoa é tão atacada quanto ele. Praticamente cada aspecto de sua vida é zombada e criticada”. Observando que todo roqueiro gosta de usar uma cruz dependurada no pescoço, Holmber diz:

“O diabo deve gostar desta ironia. Este tipo de profanação é comum nos músicos de rock. Sendo que as cruzes são os enfeites mais usados pelos roqueiros, a impressão que se têm é que quanto mais pervertido for o artista, mais obcecado ele fica pela cruz …. as cruzes esvoaçando no peito do músico deixam a impressão de que a música roque é cristã, até que alguém olhe mais atentamente para o seu objetivo, sua mensagem e estilo de vida”.

Esquecem estes que o maior conflito entre Deus e o Diabo foi resolvido na cruz. Sabemos pela escritura que chegará o dia quanto pessoas como Mick Jagger, John Lennon e Madona confessarão que Jesus Cristo é o Senhor e que a cruz é a maior demonstração do amor de Deus e a maior vitória que mundo conheceu.

Em seu clássico Mere Christianity, C.S. Lewis coloca de forma mui clara esta questão: “Este universo está em guerra… é uma guerra civil, uma rebelião… vivemos numa parte do universo ocupada pelos rebeldes. Este mundo é um território ocupado pelo inimigo, esta é a verdade. O cristianismo é a história de como o rei verdadeiro chegou, podemos dizer, disfarçadamente e está nos convocando para fazermos parte de seu plano de retomar o poder. A igreja é o centro de treinamento de guerra!”.

II. O que aconteceu quando Jesus morreu?

Paulo explica a vitória de Jesus na cruz ilustrando-a com uma execução pública comum naqueles dias. Se entendermos o sentido deste evento nossa confiança na guerra contra o inimigo aumentará consideravelmente (Cl 2.13-15).

A. Existem três verdades nesta passagem que precisamos entender que nos capacitarão para a batalha espiritual:

1. Precisamos saber é que Jesus nos deu vida nova. Esta vida é um dom de Deus, por isso usamos o termo “novo nascimento” (Jo 3.3,7). Efésios 2.2: “Ele nos deu vida!”

a) Esta vida nova rompe com os laços do passado. Fomos “libertados” do pecado (Rm 6.18). Antes de virmos a Cristo vivíamos perdidos no pecado sem chances de pagar nossa dívida espiritual. Na cruz, entretanto, a dívida foi cancelada.

2. Jesus cancelou o escrito de dívida que era contra nós. Ele não apenas cancelou a dívida do pecado, aqueles pecados que sabemos que praticamos, mas ele perdoou os pecados que a lei exigia que pagássemos. Entendemos mais facilmente o sentido do que queremos dizer olhando as palavras que Paulo usou no original grego.

a) Escrito de dívida. A palavra grega cheirographos (quirografia) significa literalmente escrita à mão e se refere a uma assinatura registrada em ata confirmando a dívida. Uma promissória.

b) Paulo está afirmando que as pessoas entendem que têm uma dívida de pecado. A Bíblia nos diz: “Não há nenhum justo, nenhum sequer” (Rm 3.10). Como sabemos? Nossa “consciência” é testemunha contra nós e nossos “pensamentos” nos acusam (Rm 2.15). Em nossos corações assinamos uma promissória de que temos uma dívida de pecado.

c) Cancelada. Paulo explica, portanto, que este débito de pecado foi cancelado ou anulado. Deus por sua misericórdia pagou o preço. Ao explicar o sentido da palavra exaleipho, Willian Barclay escreve:

“O material usado para escrever os documentos geralmente era  o papiro, um tipo de papel feito de uma espécie de cana ou o véu que era um papel feito de peles de animais. Era um material caro que não podia ser desperdiçado. A tinta antiga não tinha componente ácido e ficava na superfície do papel diferentemente da tinta moderna que penetra no papel. Os escribas, muitas vezes na tentativa de economizar papel usavam o papiro ou véu sobre os quais alguma coisa havia sido escrita. Para tanto usava uma esponja apagando o que estava escrito sobre ele. Por estar escrito apenas na superfície do papel, a tinta era apagada como se nada tivesse sido anotado ali”.

d) Quando recebemos o perdão de Deus o quadro, a lousa, é apagada. É uma obra tão bem feita que todo registro desaparece. “Tornará a apiedar-se de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar” (Mq 7.19). Davi diz a mesma coisa: “Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 103.12).

Ex. A tecla delete do computador, basta marcar o texto, apertar a tecla delete e tudo desaparece da tela. Um novo arquivo foi criado substituindo ao antigo. Em Cristo nossos pecados foram perdoados. Estamos livres de toda acusação, se continuarmos na fé (Cl 1.22,23). O Evangelista Billy Zeoli disse: “Deus tem uma grande borracha” (1 Jo 1.9). A palavra de Deus é verdadeira, não importa o quanto sentimos isso ou não.

Barclay escreve:

“Alguns dizem que no tempo antigo quando uma lei ou ordem era cancelada, era amarrada a uma tábua e um prego era encravado nela. Há dúvidas se este é o quadro aqui ilustrado. Ao contrário é isto: na cruz de Cristo toda a condenação que era contra nós foi crucificada. Foi executada e afastada do caminho para que nunca mais seja lembrada”.

Scofield diz:

“Não foi Deus quem mudou: ele sempre amou o mundo; tão pouco o mundo mudou pois continuou pecaminoso e rebelde contra Deus. Mas com a morte de Cristo o relacionamento entre homem e Deus foi modificado”.

Thomas Drake disse: “A cruz é a escada que conduz ao céu”.

Que pecados você cometeu? O tipo de pecado não faz diferença alguma para Deus. Os pecados podem ser perdoados pois foram todos cravados na cruz. Quando reconhecemos diante de Deus que pecamos pedindo-lhe perdão, nossos pecados são de fato perdoados.

3. Jesus desarmou as forças demoníacas que dominavam as pessoas. A respeito do texto de Colossenses 2.15 “e, tendo despojado os poderes e autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz”, Barclay comenta o seguinte:

“Na antigüidade as pessoas criam na existência de todo tipo de anjos e todo tipo de espíritos. Muitos desses espíritos existiam para atormentar os homens. Eram eles os responsáveis por casos de pessoas endemoninhadas e por situações semelhantes. Eram espíritos hostis ao homem. Jesus os derrotou para sempre. Ele os desarmou. A palavra usada indica que suas armas foram confiscadas e eles ficaram impotentes. O Senhor quebrou-lhes a resistência e a força. Ele os envergonhou fazendo-os desfilar como derrotados diante de todo mundo. O quadro é o da entrada triunfal de um general romano que ao vencer uma grande batalha costumava levar o exército vitorioso num desfile pelas ruas da cidade. Os vencedores eram aplaudidos enquanto os soldados e os reis inimigos seguiam atrás na marcha, cabisbaixos e derrotados, expostos à indignação do povo. O inimigo era apresentado como conquistas de guerra. Paulo fala de Jesus como um conquistador sendo aplaudido numa entrada triunfal, e atrás dele vêm em procissão os poderes do mal, para sempre derrotados para que todos vejam que a vitória foi ganha”.

As forças demoníacas sabem que uma vez ganhos para Cristo já não mais podem nos controlar. A força que tinham para nos manter em trevas foi perdida e até mesmo a influência que tinham sobre nós foi afetada. Jesus os desarmou e publicamente os levou ao desprezo.

B. O que ganhamos da cruz?  (Cl 1.13).

A obra de Jesus na cruz trás muitos benefícios que afetam diretamente nossa batalha espiritual.

1.  Fomos resgatados do reino de Satanás. Quando nascemos de novo somos tirados do reino do diabo, do domínio de Satanás e trazidos para o reino de Deus. A palavra grega traduzida para “trazidos” é methistemi que significa transportar uma pessoa ou alguma coisa de um lugar para outro. Como crentes deixamos de fazer parte do reino de Satanás. Podemos até, às vezes, fazer coisas que costumávamos fazer quando vivíamos sob seu governo, mas já não fazemos parte dele. Fomos resgatados. Fomos transferidos e mudamos de território.

2. Fomos libertados das trevas. Sem Cristo éramos cegos, desesperançados vivendo em tropeços, buscando respostas às questões da vida. Agora vivemos na luz e temos Jesus como nosso guia que nos leva ao lugar que temos de ir. Somos filhos de Deus e não mais filhos do Diabo.

O Dr. James Dobson fala de nossa natureza de pecado da seguinte maneira:

“Tem gente que pensa que as crianças são, por natureza boas, e que aprendem a errar com seus pais ou por causa do ambiente em que são criados. Mas se esta percepção de vida estiver correta irá de encontro ao que diz a Escritura. Jeremias escreveu: “Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?  (Jr 17.9). O que Jeremias diz a respeito da natureza humana está confirmado pela sórdida história da humanidade. Os passos da civilização estão manchados por crimes, guerras, estupros e devassidão desde os dias de Adão” (Sl 51.5).

Pais que crêem que seus filhos nascem imbuídos do bem são encorajados a deixarem o caminho livre para que a natureza de seus filhos desabroche.

Controlar a tudo e a todos este é o desejo dominante de Satanás. Antes de virmos a Cristo ele nos influenciava devido as condições de nosso coração e porque fazíamos parte de seu domínio. Sempre que cedíamos aos seus desejos dele ficávamos cativos. Era-nos impossível libertarmo-nos de suas garras por nossos próprios meios.

3. Fomos libertos do pecado. Ao convertermo-nos a Cristo o jugo do Diabo é quebrado. F.F. Bruce escreve: “Esta redenção foi obtida por Cristo uma vez por todas mas cada pessoa a recebe individualmente quando se une a Cristo, pela fé”. Sempre que uma pessoa aceita a Cristo ela fica totalmente livre do domínio de Satanás. São pessoas que experimentam um milagre tornando-se parte do Reino de Deus.

4. Fomos perdoados. Quando totalmente entregues a Cristo ficamos livres de acusações (Rm 8.1). Depois de termos os pecados perdoados, ficamos livres do juízo de Deus. Até podemos nos lembrar dos pecados cometidos no passado e o Diabo poderá nos intimidar trazendo-os à memória, mas podemos firmarmo-nos na palavra de Deus de que eles foram totalmente perdoados por Deus. Foram lançados no mar “do esquecimento” (Sl 103.11,12; Mq 7.19).

5. Pertencemos a Jesus Cristo. Houve uma transferência. Agora não estamos mais sob o jugo do diabo; pertencemos a Cristo. Ex. É como transferir um dinheiro de uma conta pra outra.

É assim que acontece com as pessoas que aceitam a Cristo: elas são transferidas e o diabo perde o controle sobre elas. Agora, os crentes fazem parte do Reino de Deus; um reino de santidade, paz e amor.

Jesus explicou a Paulo qual seria a sua missão nos países onde pregaria o evangelho (At 26.17,18). A missão de Paulo era o de libertar as pessoas das trevas e do jugo do diabo, trazendo-as para o reino de Deus.

Satanás pensou que com a morte de Cristo na cruz ele havia derrotado o Filho de Deus frustrando os propósitos divinos mas na sua arrogância doentia ele perdeu a batalha. E. K. Simpson e F.F. Bruce abordam o tema da seguinte maneira:

“O próprio instrumento de desgraça e morte pela qual as forças hostis pensavam haver agarrado e aprisionado a Cristo para sempre, foi o  mesmo instrumento da derrota de Satanás. Dependurado ali, pés e mãos atados no madeiro em aparente fraqueza, as forças do mal imaginavam que agora tinham Cristo nas mãos, lançando-se sobre ele com  fúria pertinaz. Mas longe de sofrer sem resistir Cristo os agarrou dominando-os totalmente, tirando de suas mãos as armas em que confiavam, e segurando os seus inimigos no alto, com as mãos estendidas, mostrou ao universo a impotência deles dando uma demonstração de sua Força e Poder. Tivessem eles conhecido a verdade, aqueles “deuses deste século”-, e tivessem (como Paulo coloca em outra epístola) conhecido a sabedoria oculta de Deus que mostram a glória de Cristo e de seu povo “não teriam crucificado o Senhor da glória” (1 Co 2.8). Mas agora eles são desarmados e destronados, e o vergonhoso madeiro transformou-se na carruagem da vitória triunfal, diante da qual marcham seus cativos numa procissão vexatória, tendo que confessar impotentes e involuntariamente que foram vencidos pela superioridade de seu conquistador”

Conclusão:

A morte, sepultamento e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo tirou-nos das trevas para a luz. Agora podemos ser resgatados do poder de Satanás para Deus. Paulo via a morte e a ressurreição de Cristo como essenciais na obra da salvação e libertação do indivíduo (1 Co 15.1-4).

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