19. Os sete obstáculos

Além das cinco coisas mostradas no devocional anterior indicando que os discípulos não haviam tomado posse de sua herança – o Espírito Santo – apresentaremos mais duas.

Eram dominados pela noção pré-cristã: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1.6). Eram espiritualmente néscios. Ainda pensavam num reino universal terreal conforme sua mentalidade nacionalista. Desapontaram a Jesus – o reino de Jesus era bem maior do que seus pequenos corações.

Além de que eram guiados por coisas exteriores, e não pela iluminação espiritual: “Senhor… revela-nos qual destes dois tens escolhido… e os lançaram em sortes” (At 1.24,26). Seu entendimento das coisas divinas ainda residia nas coisas exteriores – não tinham o Espírito habitando dentro deles.

Fica óbvio, a partir dessas sete coisas que aqueles homens, que deveriam dominar o mundo, ainda eram dominados por este. Atitudes erradas, coisas e circunstâncias ocupavam o primeiro lugar na vida deles. Ainda não estavam espiritualmente aptos para virar o mundo de cabeça pra baixo, porque muitas coisas na vida deles os mantinham numa posição invertida.

O primeiro passo para que dominassem o mundo ao seu redor, e o seu mundo interior é que deveriam ser primeiramente dominados. Mas, como? Deveria ser algo voluntário. Deveriam ser movidos por uma única motivação: o amor. Claro, haviam abandonado muitas coisas para seguir a Jesus – a empresa de pesca, as redes e os barcos, os pais, casas, profissões – haviam abandonado tudo, menos a si mesmos. Na realidade, nunca entregaram a cidadela interior, o centro de suas vidas. Entregaram as coisas marginais, mas não a central. O ego que não havia sido entregue era o obstáculo principal que os impedia de serem alvos da redenção. Tudo estava pronto, menos o receptáculo. Este ainda era posse deles, não de Deus. O mais profundo de seu interior não fora entregue a Deus. Assim, durante dez dias esperaram em oração no cenáculo, esperando receber o que Deus podia lhes dar, se eles abrissem a guarda pessoal. Demorou dez dias para a que a vida deles chegasse ao fim. Quando o fim deles chegou, Deus teve a chance de começar algo neles. Deus os controlou, quando eles pararam de controlar a si mesmos. Eles abriram mão de tudo e isto abriu espaço para o tudo de Deus. Deus pode dar bênçãos paralelas, mas não pode dar de si mesmo, a bênção central – o Espírito Santo – até que nos entreguemos incondicionalmente e de maneira absoluta a ele.

Oração. Pai, ajuda-me para que eu não pare de entregar tudo pra ti: eu mesmo. Eu quero e preciso do Espírito Santo. Amém.

Afirmativa: O maior obstáculo é o meu eu, meu ego, – e hoje eu entrego a ti. 

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Pastor, escritor, historiador e pesquisador bíblico

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