Sacrifícios de Louvor

“Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR. Cumprirei os meus votos ao SENHOR, na presença de todo o seu povo” (Sl 116.12-14).

Introdução. Não fomos ensinados em nossa cultura evangélica a oferecer coisas ou presentes para Deus. Fomos ensinados o contrário: Vamos ao culto para receber os dons e os presentes de Deus.

Na cultura do Antigo Testamento as pessoas traziam oferendas para Deus; na cultura do Novo Testamento nós somos a oferenda de Deus (Rm 12.1-2).

Mas, a pergunta de Davi tem de ser respondida.

I – Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?

A) Em troca do que Deus tem me dado, o que posso oferecer pra ele?

1) O problema do ser humano é que ele esquece rapidamente as bênçãos recebidas. O salmista fala à sua alma no Salmo 103.2: “Não te esqueças de nenhum só de seus benefícios”. O velho hino diz: “Conta as bênçãos, conta quantas são; recebidas da divina mão; uma a uma dize-as de uma vez; e hás de ver surpreso quanto Deus já fez”.

2) Sabendo de nossa deficiência de memória, Jesus instituiu a ceia para que nunca esqueçamos de sua morte na cruz: “Fazei isto em memória de mim”.

3) Não é questão de se oferecer sacrifícios para se receber de Deus, como se fazia no AT. Mas, o que posso oferecer a Deus como agradecimento por tudo o que ele me deu? Ele responde logo em seguida no v 17: “Oferecer-te-ei sacrifícios de ações de graças….”.

4) A mesma avaliação fizeram Oséias e Miquéias para Deus:

Deus disse a Oséias: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6.6).

Miquéias perguntou:

“Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma?”.

E depois ele mesmo responde:

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6.6-8).

Em síntese: Deus não está interessado em seu sacrifício – como ouvi o bispo Edir pregando que para se receber alguma coisa temos que oferecer sacrifício.

O único sacrifício que ele quer de você é que você ande de maneira justa, humilde e que seja misericordioso!

(a) Sacrifício de ação de graças é espontâneo, não é obrigatório. Ex. Oferecer a segunda cria da vaca. A primeira era para ser oferecida com sete dias; a segunda se oferecia como preito de gratidão. Hoje nosso sacrifício de ação de graças é diferente. Veja Hebreus 13.15: Sacrifício de louvor: fruto de lábios que confessam o seu nome. “Com tais sacrifícios Deus se compraz”. O que quer isto dizer?

(b) A confissão de louvor tem de vir acompanhada de obras, como no v 16 de Hebreus 13. Prática do bem; mutua cooperação, pois “com tais sacrifícios Deus se compraz”. Os dois textos de Hebreus 13 andam de mãos dadas! Adoração é serviço; estilo de vida!

II – O salmista responde sua pergunta nos versículos 13 e 14 deste salmo.

“Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor” e “Cumprirei os meus votos ao Senhor na presença de todo o seu povo”.

Analisemos essas duas respostas da reflexão do salmista:

A) Beber o cálice da salvação. O que quer isto dizer?

1. Cálice da libertação. O primeiro aspecto é que no AT era comum nos banquetes agradecer a Deus e beber do cálice, cantando e se alegrando pelas bênçãos alcançadas.

Este é o cálice da libertação porque é bebido como lembrança da sua libertação. Os judeus mais piedosos mantinham à mesa um cálice especial, o cálice da bênção em suas refeições particulares, que o chefe da casa bebia antes de todos agradecendo a Deus, e todos à mesa bebiam com ele.

“Depois de me abençoar tão ricamente, o cálice que ele colocar em minha mão, tomarei para fazer a vontade dele”.

Esta é a linguagem do filho de Davi em João 18.11: “Porventura, não beberei o cálice que o Pai me deu?”.

2. Cálice da consolação.

“Oferecer-te-ei sacrifícios de ações de graças”(v 17). Ver Lv 7.11-12. Devemos primeiramente nos oferecer a Deus como sacrifício a ele (Rm 12.1-2 e 2 Co 8.5).

(a) O que é cálice da salvação? Cálice de morte. Na antiguidade quando o imperador ou rei queria eliminar alguém oferecia-lhe duas opções: o exílio ou o cálice que continha sicuta, ou a morte. Nero ofereceu este tipo de cálice a muita gente e a Sêneca seu tutor.

– ao tomar do cálice a pessoa morria.

Alguns acham que não é o cálice que o salmista apresentaria a Deus, mas o cálice que Deus lhe dá em sua mão.

Receberei, primeiramente, o cálice da aflição. Muitos comentaristas entendem que este copo é o copo amargo, que santificado para os santos se torna cálice de salvação (Fp 1.19). “… me redundará em salvação”. Quer dizer, saúde espiritual. O sofrimento de Davi era uma figura do sofrimento de Cristo.

(b) Este era o entendimento de Jesus quando orou ao Pai no Getsêmane: “Pai, se possível passa de mim este cálice”. Mas ele tinha de beber?

Em Mateus 20.20-23 a mãe de Tiago e João pede lugar de honra aos seus filhos no reino futuro. Jesus faz uma pergunta: “Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? — Podemos! — responderam eles. Então Jesus disse: — De fato, vocês beberão o cálice que eu vou beber, mas eu não tenho o direito de escolher quem vai sentar à minha direita e à minha esquerda. Pois foi o meu Pai quem preparou esses lugares e ele os dará a quem quiser” (Mt 20.20-23).

Que cálice Jesus ia beber? A morte! (Mt 26.39). Assim, tomar o cálice da salvação, antes de tudo, é tomar o cálice do compromisso, o cálice da participação na morte de Cristo Jesus. “O SENHOR Deus sente pesar quando vê morrerem os que são fiéis a ele” (v 15).

“Mas Jesus disse a Pedro: — Guarde a sua espada! Por acaso você pensa que eu não vou beber o cálice de sofrimento que o Pai me deu?” (João 18.11).

Então o cálice tem a ver com compromisso de discipulado, de se possível morrer por amor a Jesus. “Tomarei o cálice da salvação”. Se seguir a Jesus é vida, tomo do cálice; se o seguir é morte, tomo do cálice também.

Como Jesus chegaremos ao ponto de orar: “Se possível, passa de mim este cálice”. Invocamos o nome do Senhor!

B) A segunda resposta do salmista foi: “Cumprirei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo” (v 14).

1) Fazer votos a Deus não é pecado. As pessoas fazem votos aos santos. Fui a Aparecida e vi a sala das oferendas repleta de camisetas, sapatos, jóias, vestidos, etc. que as pessoas ofereceram pra santa em troca de uma bênção. E por que não fazemos votos a Deus?

a) Com medo de não poder cumpri-los. E estamos certos. Porque temos advertências nos seguintes textos:

Salmos 65:1 “A ti, ó Deus, confiança e louvor em Sião! E a ti se pagará o voto”.

Provérbios 20:25 “Laço é para o homem o dizer precipitadamente: É santo! E só refletir depois de fazer o voto”.

Eclesiastes 5:4 “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes”.

2) O que é fazer um voto? O melhor exemplo é o de Ana. Ela pediu um filho e prometeu ao Senhor que o “daria ao Senhor todos os dias de sua vida”.

“E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha” (1 Sm 1.11).

Votos de dar uma oferta especial no dia do aniversário, do aniversário de casamento, na compra de uma casa, na compra de um carro. Etc.

Conclusão:

1. Que você o agradeça, sempre

2. Que você o invoque, sempre

3. Que você cumpra seus votos, sempre

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