Dia da Reforma

A reforma não foi um ato isolado de Martinho Lutero. Ele apenas foi o grande protagonista que com o apoio dos príncipes da Alemanha se pronunciou corajosamente contra os desmandos da igreja católica apostólica romana. Teve a sorte de não ser queimado na fogueira. Lutero acabou por transbordar o cálice dos inconformados com a igreja havia séculos.
Os historiados colocam Pedro Valdo como aurora da Reforma (1170). Um católico romano que se tornou discípulo de Jesus e foi evangelizado por um “irmão”. (Esses irmãos eram crentes que sempre se mantiveram fieis aos ensinamentos bíblicos e se refugiaram por séculos nos altos vales do Piemonte).
A história, depois, fala dos seguidores de Pedro Valdo como valdenses, no entanto eles se tratavam apenas como “irmãos”. Pedro Valdo vendeu metade de suas terras e a outra metade dela fez reforma agrária para os que precisavam de um lugar para cultivar. Formou uma equipe apostólica e saiu pela Europa a pregar o evangelho de Jesus.
Na França surgiram os albigenses, também conhecidos como “cátaros”, santos. Falam tão-mal dos cátaros, mas, na realidade aqueles irmãos estavam sob um sopro de avivamento bíblico. Esses reformistas foram impiedosamente massacrados pelo sistema romano que destruiu toda a cidade. Seu principal líder, Pierre de Brueys, depois de vinte anos de próspero ministério foi queimado na fogueira em St. Giles, em 1126.
Poderia citar aqui os místicos alemães, ingleses e holandeses, clérigos e leigos que passaram a condenar a riqueza e a luxúria da igreja no período de 1220-1400. Paralelamente a isso, os Irmãos continuavam estabelecendo comunidades de fieis por toda a Europa. Quando Lutero pregou suas teses na porta da catedral uma onda de avivamento invadia a Europa e um dos historiadores afirma que havia cerca de quarenta mil grupos se reunindo em casas por toda a Europa.
Assim, na esteira dos acontecimentos tivemos Francisco de Assis, John Wiclif, seus seguidores, os lolardos; John Hus etc. Gosto de relatar suas histórias de vida e morte.
A triste nota dessa linda história é que, depois de ser aplaudido por cerca de dez mil “irmãos” quando seguia a caminho de Worms, Lutero, mais tarde, se tornou ferrenho perseguidor daqueles que ajudaram a abrir o caminho da Reforma a ponto de afogá-los em água e queimá-los em fogueiras.
E, assim segue a história. Os valdenses, os lolardos, os hussitas, os anabatistas e mais tarde os menonitas e anos depois os morávios, se conheciam entre si apenas como irmãos, e ganharam apelidos que os diferenciam até hoje. São esses grupos de irmãos que deram origem ao grande movimento pentecostal do século XX. Daniel Berg, Gunnar Vingren e Louis Francesconi foram consagrados para as missões numa igreja batista dos irmãos.
A origem dos pentecostais não é metodista, como afirmam alguns, e sim dos Brethren ou Irmãos. (A propósito, a Congregação Cristã do Brasil é fruto do trabalho de Francesconi e as Assembleias de Deus, fruto do trabalho missionário de Daniel Berg e Gunnar Vingren).
A história da pré-reforma é riquíssima e meu livro, hoje esgotado, sobre os Heróis e Mártires da Pré-Reforma relata esse período.

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