TRANSFERÊNCIA DE UNÇÃO

TRANSFERÊNCIA DE UNÇÃO

1 de julho de 2020 2 Por Pr. João de Souza
Este é um assunto polêmico no meio evangélico. Alguns creem e outros discordam. Creiamos ou não é um assunto sério.

Na tradição episcopal acredita-se na sucessão apostólica e, alguns bispos traçam sua origem a algum dos apóstolos do Novo Testamento. Respeito-os nisso, até porque nada há nas Escrituras que diga o contrário. De minha parte, fui batizado na igreja Católica Romana, então, onde estaria minha “linha”? Digo isso pra me divertir um pouco!
Os que creditam na transferência de unção estabelecem sua argumentação com base bíblica, e, quando se examina alguns textos vê-se que têm toda razão no que dizem. Por exemplo, deixar de acreditar na bênção de Abraão aos seus descendentes é incoerente. Porque a promessa divina foi feita a Abraão com as seguintes palavras: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3), o que indica que a mesma bênção dada a Abraão se perpetua na vida daqueles que vivem pela fé em Deus. Esta é a herança espiritual, porque é disto que trata a transferência de unção hoje disponível a todos os cristãos obedientes, já que Pedro, em sua pregação no dia de Pentecostes atribui a bênção da salvação como herança de Abraão cumprindo-se em Cristo:
“Vocês são os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os pais de vocês, dizendo a Abraão: Na sua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra” (At 3.24 cf. Gn 22.18).
Vê-se aqui a transferência de bênçãos a cada geração de crentes em Cristo Jesus.
E para ser mais prático, é possível concordar com a explicação que os defensores dessa ideia pregam usando como base as experiências bíblicas e históricas.
Moisés transferiu sua unção a Josué, por ordem de Deus.
“Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria, porque Moisés havia imposto as mãos sobre ele. Assim, os filhos de Israel lhe deram ouvidos e fizeram como o Senhor havia ordenado a Moisés” (Dt 34.9; Nm 27.18,23).
A liderança e autoridade de Moisés foram transmitidas a Josué pela imposição de mãos de Moisés.
Em 2 Reis 2.9-15 pode-se ver a transferência de unção de Elias para Eliseu, por ordem direta de Deus no Sinai ou Orebe, e, tanta foi a unção que Eliseu fez o dobro de milagres de seu senhor.
Quando Jesus delega autoridade espiritual aos discípulos pode ser interpretado também como transferência de poder. “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra, portanto, vão e façam discípulos de todas as nações…” (Mt 28.18-19; Lc 24.47-49). Sem dúvida que esta autoridade está disponível a cada discípulo ainda hoje.
É interessante observar alguns acontecimentos na história recente da igreja. Smith Wiglesworth profetizou sobre David Duplessis e este se tornou o homem do Espírito Santo para avivar as denominações da terra, levando o avivamento e o batismo no Espírito Santo. Este mesmo Wiglesworth impôs as mãos sobre Lester Sumrall transferindo sua unção, quando disse:
“Óh Deus, deixe que toda a fé que está dentro de meu coração esteja no coração dele (de Lester Sumrall). Deixe que o conhecimento de Deus que reside em mim também resida nele. Deixe que todos os dons que operam em meu ministério operem na vida dele” (Lester Sumrall, Demons: The Answer Book, New Kesington, PA, 1979).
E assim, o dom da fé que operava em Smith Wiglesworth, conhecido como o apóstolo da fé passou a operar mais poderosamente em Lester Sumrall!
Quando lia sobre a vida de George Geffreys o apóstolo que fundou igrejas em País de Gales, Irlanda e na Inglaterra, percebi que ele andava com pessoas como Aimee Sample McPherson, fundadora do Evangelho Quadrangular, T.B. Barrat, Lewis Pethrus, isto é, com pessoas que em sua época tinham o coração fervendo por avivamento. E o próprio George Geffreys, no final de 1961 orou por Reinhard Bonnke, impondo-lhe as mãos no jovem que se tornaria o maior evangelista dos últimos tempos, especialmente na África.
As cruzadas de Kahtryn Kuhlman eram muito concorridas na América do Norte e, Benny Hinn dizia que Deus passara pra ele a mesma unção que havia naquela mulher. Não se pode confirmar isso!
Quem sabe seria isso o que Paulo recomendava a Timóteo quando lhe advertiu: “Não imponhas as mãos precipitadamente” (1 Tm 5.22).
Afinal, quem impôs as mãos sobre a vida de seu pastor no início do ministério? E quem impôs as mãos sobre você para o ministério? Eu sei quem impôs as mãos sobre mim no dia 23 de Julho de 1969: Missionário Lourenço Olson, José Antônio de Carvalho, pastor em Itaperuna, Antônio de Paula, pastor em Santana de Barra, e Moisés Moraes, pastor da AD do Fonseca em Niterói, RJ. Deles, estou certo, herdei uma herança espiritual maravilhosa!
Alguns homens Deus levanta diretamente; outros Deus levanta usando seus servos para profetizar sobre eles, e ainda outros passaram a ter unção quando algum líder orou e com imposição de mãos lhes delegou autoridade. Paulo, o apóstolo, Deus levantou diretamente, tal como fizera com Davi no Antigo Testamento. Existem homens hoje que estão sendo usados poderosamente por Deus e que nunca receberam imposição de mãos para o ministério, nem tiveram transferência de unção, e, são reconhecidos pela graça e unção de Deus em suas vidas.
Então, não se pode radicalizar no tema; o que se pode fazer, isto sim, é se achegar cada vez mais ao Trono da Graça e depender diretamente de Deus e de seu Filho Jesus Cristo.
Minha experiência é que já impus minhas mãos e profetizei sobre muitas pessoas transmitindo sobre elas o que Deus havia me dado! E elas tiveram o ministério totalmente mudado. Já orei sobre pessoas que não conseguiam entender nem ler pauta musical, e passaram a compreender; pessoas que não sabiam escrever, e, depois da imposição de mãos se tornaram bons escritores, no entanto, sempre deixo bem claro que não estou passando a “capa”; esta, só depois que eu for para a eternidade!
A foto abaixo foi clicada na minha consagração ao santo ministério no dia 23 de Julho de 1969.
Quem me vir “subir”…