O Avivamento prometido

Todos anelamos por um despertar da igreja de Jesus Cristo no Rio Grande do Sul.  A igreja no Rio Grande do Sul foi reavivada ou ainda esperamos por um reavivamento?

Bem antes da década dos anos 60-70 profecias foram dadas de que Deus traria um avivamento a começar pelo Sul. Este avivamento começou e seus efeitos são duráveis até hoje. Faz-se necessário olhar pelo espelho retrovisor da história para perceber as mudanças no mundo espiritual a partir da década dos anos 60 aqui no Rio Grande do Sul.

O que trato aqui não é sobre a história da igreja no Rio Grande do Sul, mas de um período de despertamento da igreja que ocorreram nesses pagos.

  1. A aurora do avivamento.

Façamos uma sinopse de nossa história recente:

  1. A) Até a década dos anos 1960 predominavam na cidade de Porto Alegre e no Estado duas grandes denominações pentecostais, as Assembleias de Deus e a Igreja Batista Independente, ambas iniciadas por missionários suecos. Estou falando em predomínio pentecostal, não que outros grupos não estivessem se instalado nesses pagos, como os Metodistas, muito ativos no Estado, os Anglicanos e os Batistas que muito contribuíram com a evangelização dos gaúchos.

Os irmãos pentecostais, dessas duas denominações citadas percorreram os mais distantes rincões a pé, a cavalo, em bicicletas e colocaram estacas da igreja de Cristo, como marcos da fé por toda a parte. Liderados por missionários suecos, os convertidos se entregaram à causa de Cristo. Perseguidos, chamados de seitas, tendo seus templos queimados, invadidos, apedrejados, não temeram o Mal e lavraram a terra, quebraram os torrões da incredulidade e semearam o evangelho de Cristo.

Os metodistas, os anglicanos e os batistas trouxeram grande contribuição espiritual e cultural fundando igrejas e escolas. O Estado, através de pastores e evangelistas pentecostais dedicados foi evangelizado; as Escrituras carregadas por irmãos que a levavam por todo o Estado, numa época em que conseguir uma cópia da Bíblia era muito difícil. Muitos irmãos gastaram suas vidas a favor da obra de Cristo, pessoas cuja história desconhecemos.

Como testemunha ocular só posso escrever os acontecimentos que remontam ao início da década de 1960 – sendo que fui batizado em águas nessa época e no Espírito Santo em 1959.

  1. B) Em 1962 o irmão Morris Cerullo realizou uma grande cruzada de milagres no antigo parque de exposições do Menino Deus – parque que depois foi transferido para Esteio. Era ali no bairro Menino Deus que se realizavam as feiras agropecuárias. Pelo que me lembro, ainda jovem, a conferência foi manchete dos jornais e rádios da época, uns criticando, outros apoiando e milhares de pessoas assistindo todas as noites naquele lugar. Bondes e ônibus extras foram colocados à disposição do povo. Foi o pastor Nils Taranger, missionário sueco, líder das Assembleias de Deus que trouxe o Cerullo (Anos depois, em 1970 encontrei-me com Nils Taranger na conferência em São Diego, Califórnia; ali também nos encontramos com Demos Shakarian o fundador da Adonep americana).

Por toda parte da cidade as pessoas caminhavam e assobiavam o hino da campanha, “Cristo é a resposta ao pecador; Cristo é a resposta a nossa dor; salva e batiza e também cura, oh! Aleluia…”. Hoje entendo que uma atmosfera espiritual cobriu a cidade de Porto Alegre naquela ocasião, porque, empregado que era de uma fábrica no quarto distrito (Navegantes) as pessoas que viajavam nos bondes e ônibus assobiavam o cântico. Muletas se acumularam no templo da AD da rua Gal. Neto. Por essa época – não me lembro o ano – os católicos fizeram a Cruzada da Família com o Padre Peyton no largo do Mercado Público. O lema: “Família que reza unida, permanece unida” (A cruzada era uma resposta espiritual aos políticos de esquerda que queriam instalar o comunismo no Brasil).

Foi aqui em 1962 que Cerullo, com 28 anos de idade, jovem pregador, profetizou um avivamento pela primeira vez e ali no City Hotel onde ele se hospedou, passava o dia orando e jejuando quando Deus lhe deu a visão de formar um exército de pregadores. Meu amigo e pastor Isaque Lemos, falecido, o homem que me incentivou a entrar para o ministério, transportava em seu táxi – na ocasião se chamava carro de aluguel – o pregador em suas idas e vindas do hotel. (Anos depois eu veria as fotos de evangelistas gaúchos espalhadas no local da conferência em São Diego. Dezenas de obreiros recebiam ajuda financeira dos ministérios de Cerullo, de Oral Roberts e da Igreja do Povo, de Oswald Smith, de Toronto, Canadá. Taranger sabia como angariar recursos para ajudar a fundar igrejas no Estado. Jovens obreiros, como eu e meu cunhado Jerônimo dos Santos de Cachoeirinha abrimos frentes de trabalho no interior…).

  1. C) Ainda na década dos anos 1960 começa a chegar no Estado mais uma igreja pentecostal, a Igreja do Evangelho Quadrangular. Em 1967 Adelmo Barbosa de Souza começou reuniões no bairro Menino Deus. Muita gente se converteu ali atraídas pelo programa de rádio “visita ao seu lar”. Com músicas de melodias e letras simples, esses irmãos montavam um palanque em praças e terrenos baldios ou às vezes sob lonas e pregavam o Evangelho. Suas músicas davam sequência ao que ocorrera nas campanhas de Morris Cerullo e encheram a cidade de Porto Alegre. O som de Deus continuava a encher.

Ainda jovem pregador, incansavelmente abria meu acordeão na Praça XV em  Porto Alegre aos domingos à tarde ou no Parque Farroupilha, ou ainda no Cais do Porto pregando aos estivadores em dias da semana.

E sequencialmente surge a Igreja Pentecostal o Brasil Para Cristo fundada aqui por Olavo Nunes e começava-se a ouvir a voz de Manoel de Mello todas as manhãs pelas emissoras de rádio. As Assembleias de Deus, então começaram a fazer programas radiofônicos. Isso tudo na década dos anos de 1960. Antônio Elias chega a Porto Alegre para começar o trabalho presbiteriano.

Ministerialmente tive que deixar Porto Alegre no ano de 1968 e só regressei em 1973 onde permaneço até hoje. Por que coloco este artigo no pronome pessoal? Porque sou um dos poucos que era jovem na ocasião e acompanhou o desenrolar da igreja no Estado. Alguns, ainda jovenzinhos na época, como o Isaías Figueiró acompanharam os acontecimentos a partir da década dos anos 1970, pois seu pai, Júlio Figueiró foi obreiro incansável em busca de um avivamento hospedando pastores e líderes em sua casa.

  1. O sol da manhã espiritual brilhando sobre Porto Alegre.
  2. A) Se Morris Cerullo e sua Cruzada em 1962 trouxeram novo vigor à tarefa de evangelização do Estado, o sol de Deus raiou sobre a cidade em Janeiro de 1973 quando os irmãos batistas renovados realizaram sua conferência em Porto Alegre. O avivamento Batista que começara em Belo Horizonte dez anos antes também aqui fincou suas estacas – herdei vários livros que pertenceram a José Rego do Nascimento de Belo Horizonte, especialmente sobre a patrística. Nessa conferência Cerullo, Juan Carlos Ortiz deram o tom espiritual. Enéias Tognini com seu fervor pelo avivamento foi um revolucionário e influenciou muito a obra de renovação entre os Batistas aqui no sul. A partir desse ano os irmãos da Argentina, inicialmente através de Juan Carlos Ortiz passaram a vir periodicamente a Porto Alegre e a se hospedarem na casa do irmão Júlio Figueiró.
  3. B) E o avivamento prometido chegou! Obreiro das Assembleias de Deus comecei a primeira Comunidade em Porto Alegre que chamamos de Comunidade do Passo da Mangueira juntamente com um luterano de nome Telmo Weber que trabalhava com a APEC e hoje é ainda um dos líderes da Comunidade Cristã (que prefere ser chamada de igreja na cidade). Isaías Figueiró era nosso baterista, seus irmãos Paulo e Júlio tocavam guitarras. Esta comunidade começou com irmãos batistas, presbiterianos e luteranos que estavam sendo batizados no Espírito Santo e se viam obrigados a sair de suas denominações. Esses irmãos não se adaptavam às denominações pentecostais existentes, talvez devido aos usos e costumes e tinham que ser pastoreados.

Às vezes me questiono se, muitos obreiros hoje não estariam se comportando como os judeus à época de Jesus: Esperavam o Messias e ainda o esperam até hoje, quando, na realidade o Messias já veio e voltará segunda vez.

III. A importância do avivamento de 1973. Surgimento das Comunidades e outros grupos.  

  1. A) Neste mesmo ano de 1973 Moisés Cavalheiro de Moraes e Erasmo Ungareti, pastores metodistas e professores do IPA foram cheios do Espírito Santo; depois, o Bispo Sadi Machado da Silva também experimentou o batismo no Espírito com o falar em línguas. Mais adiante falo sobre ele. Durante três anos, Moisés e Erasmo continuaram avivados dentro da igreja metodista; Moisés na Igreja Institucional da Presidente Roosevelt e Erasmo na Igreja Metodista Wesley da rua São Vicente e ao mesmo tempo realizavam cultos de oração e de avivamento, primeiramente às sextas-feiras a noite e depois às segundas-feiras no templo Metodista Wesley da rua são Vicente.
  2. B) Um marco histórico.

Somente em dezembro de 1976, diante da oposição dos líderes Metodistas do Estado foi que nos unimos ao grupo que se reunia com Moisés e Erasmo e passamos a trabalhar juntos. Deus agregou outros irmãos, inclusive Donald Stoll, missionário americano que muito ajudou na área de louvor. Agora, com uma equipe de sete obreiros, criamos a Associação Evangelística Seara Latina – guarda-chuva jurídico para o funcionamento da igreja.

Irmãos de várias partes do Estado afluíam semanalmente a Porto Alegre em busca de avivamento. Pessoas de Porto Alegre, da Grande Porto Alegre e de Cachoeira do Sul, Passo Fundo, Pelotas, para citar algumas apenas, vinham às segundas-feiras para receber de Deus, orar e serem cheias do Espírito.

A Comunidade Cristã se tornou um agente de renovação espiritual influenciando ou ajudando no surgimento de Comunidades Cristãs por todo o Brasil; eu mesmo viajava sem parar começando novas igrejas por toda a nação, com o respaldo dos meus pares da igreja. A renovação na área de louvor partiu daqui, especialmente com o ministério de Asaph Borba e de meu livro O Ministério de Louvor da Igreja.

  1. C) O que aconteceu com o surgimento do avivamento em 1973:
  2. Equipes saíram daqui de Porto Alegre levando o avivamento aos Metodistas do Paraná. Pastores dali foram cheios do Espírito Santo. A Igreja Metodista do Paraná até hoje mantém o fogo do avivamento, enquanto a igreja Metodista de Porto Alegre começou a diminuir. Depois explicarei este fenômeno.
  3. Notícias do avivamento se espalharam pelo país e pastores e líderes passaram a visitar e a fazer estágios espirituais em Porto Alegre, entre eles Márcio Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha; Key Yuasa, na ocasião líder da Igreja Evangélica Holines no Brasil – ambos ficaram cerca de dez dias em minha casa para aprender sobre louvor, guerra espiritual e discipulado – e tantos outros.
  4. Porto Alegre passou a ser o centro de atenção e para cá acorriam pessoas para fazerem estágios e aprender na área de louvor, discipulado e batalha espiritual. Isto era avivamento.
  5. Membros e líderes de várias igrejas do Estado acorriam para as reuniões de segundas-feiras em busca de refrigério e avivamento.
  6. Um dos movimentos, fruto do avivamento surgiu com o pastor Jessé Guimarães que levou o avivamento para a primeira igreja Batista de Porto Alegre, na Azenha. O movimento transformou-se em BRASA com várias igrejas na Grande Porto Alegre e no interior do Estado. Hudson Tailor lidera a igreja e os demais grupos no Estado. A BRASA é uma igreja de origem Batista que acolheu irmãos de vários segmentos denominacionais.
  7. A partir daqui igrejas e comunidades cristãs surgiram em todo o país.
  8. Focos de avivamento irromperam entre Presbiterianos, Batistas e Anglicanos. O bispo Dom Arthur Kratz, primaz da igreja anglicana foi avivado; da mesma forma o bispo Metodista Sadi Machado foi batizado no Espírito Santo.
  9. D) Surgem novos movimentos e igrejas.

Na trilha do avivamento surgiram grupos e novas igrejas que vêm impactando hoje a igreja no Estado e fora dela.

  1. Luteranos renovados. Pastores da IELB – Igreja Evangélica Luterana do Brasil – foram avivados e se espalharam hoje pelo Estado e várias partes do Brasil com nomes diferentes, mas, todos da mesma cepa.
  2. ABA – com Alberto Haleva. Grupo fundado por um irmão que estava bem no começo das Comunidades Cristãs de Porto Alegre.
  3. Encontros de Fé, com Isaías Figueiró. Oriundo de movimentos pentecostais, o pai, Júlio Figueiró foi também um dos fundadores comigo da Comunidade Cristã do Passo da Mangueira. Isaías Figueiró fundou o grupo Encontros de Fé que se multiplicou fortemente e hoje faz muita diferença no contexto evangélico da Grande Porto Alegre com sua grande equipe de pastores.
  4. Ministérios apostólicos: Ricardo Wagner e outros luteranos são frutos do avivamento no Estado. No dia em fui com Telmo Weber batizá-lo em Teutônia, havia sofrido uma tentativa de assassinato, e, na ocasião batizamos nas águas 27 irmãos luteranos. Dentre esses estava também o atual líder da Comunidade Cristã de Lajeado, Luis Koeffender.

Cada grupo conhece sua própria história e saberá traçar a origem do avivamento que levou esses irmãos a formarem novas igrejas.

  1. Novos ministérios locais. Sucessivamente, grupos dissidentes por questões doutrinárias ou de autoridade saíram da cepa onde começaram e formaram novas igrejas no Estado.

Este movimento de Deus no Estado do RS atingiu também a IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil – e um movimento de avivamento na denominação conhecido como “Encontrão”, reunindo-se sem deixar a denominação e criando sua própria editora. Destaque-se a presença, na ocasião de um jovem seminarista Arzemiro Hoffman e Douglas que permaneceram na IECLB.

  1. D) Cruzadas evangelísticas e o navio Doulos II.
  2. Por aqui aportaram também conferencistas, como o líder da Jocum, Loren Cuninghan, pregando no antigo tabernáculo da Fé onde a comunidade se reunia; conferência em 1988 com Luiz Palau; mais tarde com o pregador alemão (falta o nome), repetidas vezes com visitas de Cerullo etc.
  3. Duas vezes a igreja da cidade se uniu para receber a equipe da Operação Mobilização e o navio Doulos II no cais do porto. Se isto não faz parte de avivamento, então, o que esperar?
  4. Pregadores, como Ern Baxter que Deus usou à época do movimento chuva serôdia nos Estados Unidos, Christian Chen, Jorge Himitian, para citar apenas alguns.
  5. O mesmo avivamento que vivifica, também mata.

Os líderes que ouviram e deram crédito à voz do Espírito Santo frutificaram, exemplo citado nesse artigo, mas aqueles que endureceram o seu coração à voz do Espírito, mesmo tendo sido alcançados pelo avivamento, praticamente morreram. Estêvão fala daqueles que resistiram ao Espírito Santo (At 7.51) e o profeta Isaías falou daqueles que rejeitaram ao Espírito Santo e o Espírito Santo se lhes tornou em inimigo: “Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles…” (Is 63.10) e adiante o profeta gemendo, pergunta: “Ó Senhor, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos?” (Is 63.10). E, Jesus respondendo à pergunta dos discípulos sobre a razão de falar ao povo por parábolas, responde na mesma tônica citando Isaías 6.10: “Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados” (Mt 13.15).

  1. A) A morte do anglicanismo no Rio Grande do Sul.

Quando Dom Arthur Kratz, Bispo Primaz da Igreja Anglicana faleceu, ele que havia aberto as portas da Igreja Anglicana ao avivamento, convidando-me tantas vezes para pregar nas várias paróquias da cidade e de cuja cepa surgiu a figura lindíssima de Lauro Borba da Silva, que foi avivado, batizado e em cuja paróquia do Redentor na cidade baixa um foco de avivamento se instalou, Lauro que depois de vários anos o Senhor o recolheu, repito, com a morte de Dom Arthur Kratz morreu também a igreja Anglicana do Estado. Seus membros fieis migraram para o avivamento que se instalara no seio da igreja Metodista liderados por Moysés e Erasmo.

Morreu o líder e a nova geração não quis ouvir a voz do Espírito Santo. A catedral do centro da cidade é apenas um marco de um tempo em que a igreja Anglicana influenciou o RS e sua liderança política. As paróquias se esvaziaram e o Colégio Cruzeiro do Sul, famoso na época, fechou. Devemos aprender com a história que sem o Espírito Santo a igreja fica apenas com sua estrutura e, até esta haverá de virar pó um dia.

  1. B) A morte do metodismo no Rio Grande do Sul. A igreja Metodista do Brasil está por trás da cultura educacional do Estado com seus colégios, faculdades e sua membrezia. Quando o bispo Sadi Machado, que foram batizado no Espírito Santo pediu a Deus que tirasse “aquilo” dele (testemunho que ouvi do Moisés e do Erasmo), Deus tirou tudo da igreja Metodista. Enquanto os metodistas do Paraná deram ouvidos a voz do Espírito Santo e estão avivados até hoje – fruto como escrevi do avivamento que daqui para lá foi levado – a igreja Metodista daqui está moribunda. Algumas igrejas ainda têm um fôlego de vida, mas outras, como a centenária igreja de São Borja fechou, e seu patrimônio no centro da cidade está se deteriorando.
  2. O prédio da Av. Presidente Roosevelt, um dos centros de avivamento sob o pastoreio do Moysés Moraes, no edifício anexo, em cujas dependências se reuniam as classes dominicais e as reuniões de oração hoje está alugado para escritórios de contabilidade e cursinhos. A quadra de esportes foi transformada em estacionamento. O templo é hoje um monumento histórico de um tempo que se foi e a voz gritante do Espírito Santo, como a dizer: Vocês me rejeitaram, abandonei seu templo!
  3. O templo elegante e o edifício anexo da Igreja Metodista Wesley da rua São Vicente está lá como testemunha do que significa rejeitar o Espírito Santo. Com a saída do Erasmo Ungareti paulatinamente a igreja entrou em estado precário, mantida hoje em aparelhos na UTI espiritual. Semelhantemente ao prédio da Igreja Metodista da Presidente Roosevelt suas salas estão alugadas para cursinhos e escritórios diversos. O que sustenta hoje a denominação, parte vem dos aluguéis desses espaços.

E, como me lembro quando do Seminário Teológico que funcionava nas instalações do IPA. Quando parte de seus seminaristas decidiram pelo batismo nas águas – já haviam sido batizados no Espírito Santo – o seminário foi abruptamente fechado e os que quiseram continuar com o curso foram para Rudge Ramos, em Santo André onde sofriam afrontas por haverem aceitado o avivamento.

A Igreja Metodista que tanto influenciou espiritualmente, agora é o seio cultural não cristão, algumas vezes, esquerdista, obsequiando com os recursos de seus alunos o sustento da máquina estrutural. Algumas paróquias ainda mantêm o fôlego de vida, mas não muitas! Citei essas duas igrejas Metodistas de Porto Alegre, pelo fato de seus líderes terem sido forçados a deixar a denominação devido ao batismo no Espírito Santo. Moisés Moraes, naquela época, dizia: “Se me fecharem as portas volto a entrar pela janela; se fecharem as janelas entro pela chaminé”, mas, fecharam todas as aberturas ao sopro do Espírito, e o vento do Espírito passou a soprar em outras paragens!

  1. C) Igrejas Luteranas (IELB e IECLB). Tive várias oportunidades de ministrar em paróquias da IECLB e no seminário teológico de São Leopoldo, a convite de Arzemiro Hoffman de quem sempre fui amigo. De alguma maneira o sopro do Espírito passou pela denominação, mas a estrutura luterana estava muito rígida para aceitar um vinho novo. Exemplo disto é que, uma vez ao mês, jovens de muitas denominações de Porto Alegre se reuniam nas tardes de domingo na Igreja da Reconciliação, no centro da cidade, graças ao trabalho de Arzemiro Hoffman e de Douglas, (de quem esqueci o sobrenome). Era lindo ver os jovens liderados por esses luteranos, incluído na lista o pastor Claudemar Reinheimer, hoje pastor em Cachoeirinha.

Até que certo dia, Samuel Espíndola e eu fomos chamados a uma reunião com o pastor Bohl daquela igreja do centro da cidade e o pastor luterano exigiu que começássemos a cantar nas reuniões de jovens os cânticos do hinário luterano. Recusamos a sugestão dele, e, lembro-me que disse aquele pastor: “O irmão acabou de matar um avivamento em sua igreja”.

Hoje aquele templo está vazio aos domingos de manhã. O prédio ao lado, alugado como garagem. Quem mais o utiliza são alunos da Escola de Belas Artes para ensaios e apresentações. O prédio onde havia a escola luterana na Av. Sertório hoje está alugado para a escola de polícia. Quando o vento sopra e nós o negligenciamos, o Espírito se afasta e a morte aos poucos mata a congregação.

Enquanto igrejas renovadas saem em busca de locais para se reunir utilizando galpões e garagens, algumas igrejas antigas mantêm seus templos fechados, o que demonstra claramente que a “nuvem” se levantou, mas aqueles irmãos ficaram acampados em seus desertos espirituais.

Não quero ofender ninguém, mas até mesmo igrejas pentecostais que deveriam acatar e ouvir a voz do Espírito se fecharam teologicamente ao mover de Deus e, muitas delas perderam membros e ficaram estagnadas, sem crescimento algum.

Conclusão:

Este é apenas um resumidíssimo histórico da jornada da igreja da qual sou testemunha ocular. Não quero, absolutamente, falar de avivamento, reavivamento e despertamento espiritual; uma coisa sabemos: Devemos buscar um novo tempo para vermos conversões, arrependimento, curas, fechamento de casas de ocultismo e transformação da cidade.

E, assim está ocorrendo com muitas denominações pentecostais históricas: As que aceitaram o movimento do Espírito Santo continuam crescendo, as que seguiram o destino traçado por homens, diminuíram.

Hoje ainda, o Espírito está pedindo passagem aos irmãos das Assembleias de Deus, da Batista Independente, e a todos os grupos que foram avivados ou que foram criados a partir do avivamento, num gemido constante.

Felizmente, o resultado daquele avivamento pode ser visto hoje em pequenos núcleos ou igrejas por todo o Estado e, não mais pelas grandes denominações históricas, salvo algumas igrejas em certas cidades. Este novo avivamento acontecerá através desses irmãos, desprezados e tidos como “grupelhos” por muitos líderes pentecostais. A chuva serôdia cairá preparando a grande colheita.

Muitos dos irmãos que por aqui passaram e profetizaram um avivamento o fizeram na esteira do avivamento que aconteceu no passado. Então, que um mover de Deus venha sobre o nosso Estado novamente e que o Senhor vele sobre sua palavra proferida pelos lábios desses homens de Deus. Mas, seria bom que eles não apenas profetizassem, e, sim, se mudassem para cá ajudando-nos no esforço de ganhar este Estado para Cristo!

One Response to O Avivamento prometido

  1. Jairo Pereira da Conceição disse:

    Pastor, creio que o pregador alemão referido seja Reinhard Bonnke. Lembro por que, quando criança, assisti ele pregando numa cruzada em Porto Alegre.

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