Voando nas asas do vento do Espírito (parte 1)

“O Espírito me levantou entre a terra e o céu e me levou a Jerusalém em visões de Deus” (Ez 8.3).
O profeta Ezequiel experimentou o que é viver na dimensão celestial. As visões que teve de Deus, de sua glória e majestade e o arrebatamento espiritual que o levou a Jerusalém são surpreendentes.
Ezequiel estava em sua casa, assentado com os anciãos de Judá quando Deus o tomou e o levou em espírito a Jerusalém. Seu corpo ficou ali inerte diante daqueles homens, enquanto seu espírito voava até Jerusalém. Deus o levou a fazer uma viagem em tempo real. Em linguagem contemporânea dir-se-ia que foi uma “viagem astral”, esta, no entanto, pelo Espírito de Deus. O profeta foi levado pelo Espírito de Deus até o templo em Jerusalém e viu o que acontecia ali.
Nabucodonosor não havia ainda destruído o templo, e Ezequiel deve ter sido levado a cativeiro na primeira turma de exilados. Os sacerdotes em Jerusalém não haviam se arrependido de seus pecados e usavam as câmaras do templo para adorar seus ídolos, liderados por Jazanias. Ele viu mulheres adorando e queimando incenso a Tamuz.
Depois de ver tanta prostituição espiritual no templo, o Espírito de Deus o levou de volta pra sua casa, “aos do cativeiro” (Ez 11.24-25).
Para viver essa transcendência espiritual Ezequiel foi tratado por Deus de diversas maneiras. Se não tinha palavra alguma do Senhor para dizer ao povo, Deus o deixava mudo e só abria sua boca quando tivesse algo para dizer, até o dia em que Deus o livrou da mudez definitivamente: “Farei que a tua língua se pegue ao teu paladar, ficarás mudo e incapaz de os repreender; porque são casa rebelde”. “Nesse dia, abrir-se-á a tua boca para com aquele que escapar; falarás e já não ficarás mudo. Assim, lhes servirás de sinal, e saberão que eu sou o SENHOR” (Ez 3.26; 24.27).
O acontecimento mais impressionante foi quando Deus lhe avisou que tomaria dele o que para ele era mais precioso. Deus e o falou de manhã e à tarde sua esposa morreu:
“Filho do homem, eis que, às súbitas, tirarei a delícia dos teus olhos, mas não lamentarás, nem chorarás, nem te correrão as lágrimas. Geme em silêncio, não faças lamentação pelos mortos, prende o teu turbante, mete as tuas sandálias nos pés, não cubras os bigodes e não comas o pão que te mandam. Falei ao povo pela manhã, e, à tarde, morreu minha mulher; na manhã seguinte, fiz segundo me havia sido mandado” (Ez 24.16-18).
As pessoas hoje querem viver na intimidade com Deus e experimentar a vida transcendental, mas não estão dispostas a passar por tribulações e lutas ou atribuem as lutas a ação do diabo, quando na realidade Deus está preparando o vaso para mostrar nele o seu poder: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4.7).
A vida plena e transcendental do Espírito exige total quebrantamento. Mas, não aquele quebrantamento que se reduz apenas à confissão de pecados e lágrimas no final de um culto, mas o quebrantamento no sentido mais estrito da palavra, quando tudo no homem é tocado por Deus e nenhuma impureza passa ao largo dos olhos de Deus. A glória de Deus quando se manifesta elimina as impurezas; o cabode de Deus (glória, no hebraico e não a shequiná) desce sobre o homem e aniquila suas transgressões; e, como um peso de glória faz que toda impureza dê lugar à ação de Deus.
Um homem de Deus só é completo ministerialmente quando todas as áreas de sua vida são tocadas por Deus, até que seu corpo, sua alma e seu espírito estejam totalmente rendidos e santificados. O corpo, quando as paixões pelas coisas do mundo não lhe interessam mais, e o homem de Deus consegue conviver com o mundo sem se deixar contaminar por ele. A alma, quando seu intelecto, vontade e desejos ficam totalmente submissos ao Espírito de Deus, pois já não depende do conhecimento humano para entrar no intelecto das pessoas; não se gloria de sua sabedoria e depende do intelecto do Espírito que convence o homem de seu pecado. Seu espírito fica totalmente rendido pela ação do Espírito de Deus.
Como uma semente que para brotar da terra primeiramente tem que morrer, sofrendo a ação da umidade, do calor e das intempéries para quebrar a casca exterior, sua carne, liberando a parte interna que também morre, para que a parte mais interior onde está a fonte de vida nasça e cresça uma nova planta; assim o espírito do homem fica totalmente submetido a ação do Espírito. O que daí provém é espiritual; nada mais é carnal ou fruto de alma.
E Deus só tem um meio de fazer que a carne do homem e sua alma pecaminosa saiam do caminho para que brote o que é do Espírito: As tribulações. Entende-se por que Paulo se refere às tribulações como algo de que podia se orgulhar:
“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5.3-5).
O pregador jovem costuma citar as experiências dos outros, mas, depois de tratado, quebrado e humilhado, dali a alguns anos ilustra suas pregações com sua própria vida e seu caminhar com Deus. Entre o início da vida ministerial e seu apogeu, as tribulações trataram com tudo o que é do homem, deixando transparecer apenas o que é de Deus.
“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Co 4.16-18).
O peso da glória somente virá sobre o homem quando seu exterior não tem mais valor algum; somente nesta condição, isto é, com seu homem interior transformado, passa a ter um vislumbre da glória e da eternidade de Deus!
Somente o profeta consegue, pelos olhos do Espírito ver os Jazanias se corrompendo e as mulheres adorando a Tamuz, deusa da beleza e da sensualidade. Com o templo, a casa de Deus profanada pela política e pela economia humana não resta alternativa senão a interferência direta de Jeová!

 

 

 

 

4 Responses to Voando nas asas do vento do Espírito (parte 1)

  1. Meu comentário acima foi retificado na parte 2 do post.

    • Meu querido Eneias. Li seus dois comentários e, não consegui ver muita diferença entre eles, no entanto, concordo com o que você escreveu. Como é difícil voar nas asas do Espírito numa sociedade tecnológica e competitiva. Eu mesmo sinto na alma quão disperso me torno diante das redes sociais, da TV e das distrações na igreja. Mas, na medida do possível procuro desenvolver uma vida de intimidade com o Espírito. Vá em frente, amado. Voe nas asas do Espírito!

  2. Flavio Lima disse:

    A Paz do Senhor Jesus pastor! Eu louvo a Deus por ainda existirem vozes que clamam no deserto. Nao ha nada a acrescentar nem retirar desta reflexao! As tribulaçoes sao bençaos disfarçadas em nossa vida! Gloria a Deus por elas, pois ela é o veículo que nos leva ao proposito de nosso Pai: nos conformar ao Carater Santo de Seu Filho e nosso Senhor Jesus Cristo! A igreja gosta de pregar a Palavra, que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, mas esqueçem do final, segundo o Seu proposito. Abraço!

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