O livre pensamento e os fariseus

O livre pensamento e os fariseus

19 de julho de 2014 6 Por Pr. João de Souza

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1 Co 1.10).
Certas pessoas fazem das palavras de Paulo aos irmãos da igreja de Corinto, uma regra utópica. Explico. O autor de Utopia, Thomas More, em livro publicado em 1516 escreveu sobre uma sociedade maravilhosa, em que todos pensam igual e possuem tudo em comum. Thomas More era grande perseguidor da igreja e nele está a raiz do socialismo comunista. Pois parece que Thomas More conseguiu fazer reviver suas teorias em algumas igrejas que não entendem o que Paulo escreveu: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1 Co 1.10).
Ora, Paulo não está condenando quem tenha opinião diferente, até porque escreveu a respeito das opiniões diferenciadas que os irmãos podem ter quanto a certas práticas judaicas em Romanos 14. Paulo está afirmando e ensinando que, com a respeito a Cristo todos devem pensar a mesma coisa, “unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer”. Na igreja de Corinto Cristo estava sendo dividido em pedaços e em opiniões, levando as pessoas a seguirem a Pedro, Paulo, Apolo e Barnabé. É disso que Paulo trata. Todos temos que pensar igual com respeito a Cristo!
Mas, convenhamos, alguns líderes e igrejas exigem uniformidade em tudo, especialmente na maneira de pensar. Qualquer pessoa que pense diferentemente da liderança de algumas igrejas é tratado como rebelde ou excluído do rol de amizades. Líderes dessa estirpe vivem no limiar de condenar as pessoas e assassiná-las pelo que elas pensam, dizem e escrevem. Bem, especialmente quando elas escrevem, porque aí fica registrado o que elas pensam; e por isso passam a ter sua história de vida julgada e sua reputação assassinada.
Esse tipo de comportamento me remete a cinquenta anos atrás quando alguns pastores exigiam que todas as irmãs usassem tranças que caíssem pelos ombros e proibia os coques; outros exigiam que elas usassem cabelos soltos. E, outros, só admitiam que usassem coques. E, tais coisas serviam de condição para tomar a ceia. Mas, aqueles viveram em outros tempos. Hoje, no mundo de pluralidade, as únicas coisas inegociáveis são as doutrinas da fé, mas, aqueles que têm pensamentos sobre política, economia, sobre pessoas e até sobre pastores não podem ser condenados e jogados na fogueira da falsa espiritualidade, no entanto, para alguns líderes, quem pensa diferentemente se torna inimigo cruel de suas igrejas.
Nós, a quem Deus concedeu a capacidade de escrever e de expor ideias pela escrita somos os que mais sofremos – refiro-me a todos os escritores e articulistas – porque temos que ser sinceros com nossa consciência e com os pensamentos. Ora, alguns de nós já levamos nosso pensamento cativo a Cristo, como Paulo afirma em 2 Coríntios 10.5 mas, tal como Cristo era condenado pelo que ensinava, assim também sentimos arder sob nossos pés a fogueira da inquisição moderna.
É próprio dos jovens escritores viverem com medo de expor o que pensam, e o fazem corretamente, porque têm uma senda longa e sinuosa pela frente a percorrer, e podem ir para a fogueira da inquisição evangélica cedo demais, mas, um escritor como eu que beira os setenta anos de idade e que já foi tantas vezes apedrejado por suas opiniões nada tem a temer. Até porque me respalda a longa jornada de cinquenta anos de ministério a serviço de Cristo e de sua igreja. Além de que o Cristo que servimos nos impulsiona a seguir em frente.
Quando se julga uma pessoa pelo que ela pensa, usa-se da espada humana para dividir o corpo de Cristo e nos separar uns dos outros. A contribuição que Deus me permitiu dar ao corpo de Cristo no Brasil, especialmente com os livros de louvor que mudaram radicalmente a liturgia das igrejas; e os livros de guerra espiritual e livros para pastores e líderes formam o leito por onde correm ideias, todas firmadas na Palavra de Deus.