Cânticos vazios para corações vazios

Cânticos vazios para corações vazios

11 de outubro de 2013 29 Por Pr. João de Souza

Meus leitores enviam respostas às postagens que faço no site www.pastorjoao.com.br alguns concordando comigo, outros lançando impropérios contra minha vida, especialmente quando teço críticas às letras de canções gospels sem conteúdo bíblico-teológico. Basta ler os comentários no site e o leitor verá como pensam alguns dos meus leitores.

Esses últimos saem em defesa de seus ídolos; eu saio em defesa da fé e da originalidade da palavra de Deus. Ao longo de quase cinquenta anos de ministério – e não tenho nada que me gloriar deste fato, a não ser a experiência com Deus e sua palavra – examinei muitas letras de cânticos à luz das doutrinas bíblicas. Em meu primeiro livro, O Ministério de Louvor da Igreja editado pela Editora Betânia em 1985 já mencionava alguns dos cânticos da época, inclusive cânticos dos hinários como Harpa Cristã e Cantor Cristão que também carecem deste quesito teológico.

Sempre aprendi que a igreja vive o que canta. Quando a igreja canta a palavra de Deus assimila as verdades da Bíblia e passa a vivê-las. Ora, na década dos anos de 1980s vários cantores gravaram trechos inteiros da Bíblia Sagrada que tratam da salvação e do propósito eterno de Deus, bem como vários temas do livro dos Salmos.

Quando as pessoas começam a entoar letras vazias de conteúdo bíblico se enchem apenas da música e não da palavra de Deus; e, quando cantam letras não bíblicas põem para dentro de seus corações ‘verdades’ que não são eternas.

Atribui-se a John Philip Souza, o autor americano que escreveu a maioria dos hinos patrióticos dos Estados Unidos da América do Norte a frase, mais ou menos assim: “Deixe-me fazer as letras que o povo canta e não me preocuparei com quem faz suas leis”. Ele sabia que o povo vive o que canta. Porque a música e sua letra trazem mais efeito no coração e destino de uma pessoa que as leis feitas por nossos legisladores. As leis brasileiras não conseguem deter o furor, a permissividade e a violência em alguns dos funk cariocas. Quando ouço as letras funk imagino o que ele estará produzindo no coração daqueles jovens que esnobam som alto em seus carros pelas ruas da cidade!

A mesma verdade se aplica às letras de algumas músicas evangélicas!

Veja as letras do Asaph Borba; do Adhemar de Campos e do Gerson Ortega, apenas para citar estes três dinossauros da música cristã brasileira. São cheias de rima, poesia, métrica e biblicamente corretas, porque Asaph, especialmente, sempre faz que suas letras passem pelo escrutínio dos líderes da igreja que ele frequenta. Compare-as com as letras dos novos cantores gospels e você se surpreenderá quão vazias de conteúdo são as músicas atuais.

E quero dizer aos críticos que me interpelam e me ofendem, que escrevi seis livros na área do louvor: O Ministério de Louvor da Igreja; O Louvor e a Edificação da Igreja; Ministério de Louvor: Revolução na Vida da Igreja; Formando Verdadeiros Adoradores (Editora Betânia); Deixem Soar os Tamborins e O Livro de Ouro do Ministério do Louvor, este último laureado com o prêmio Areté 2011, pelas editoras cristãs. Ainda publicarei um compêndio com comentários sobre todos os cânticos e poemas da Bíblia de Gênesis a Apocalipse. (Espero um editor).

Li e reli muitos livros seculares que falam do poder da música, entre eles O Poder Oculto da Música e O Som do Universo para basear minhas pesquisas.

Ora, assim como as pregações hoje se limitam a dois extremos: Pregações re-te-té (entre grupos pentecostais) e pregações de cunho motivacional – deixando-se de lado a verdadeira pregação, porque pode ofender as pessoas – os cânticos modernos são vagos, motivacionais e egocêntricos, pois falam das vitórias que eu terei; da prosperidade que acumularei deixando de lado a mensagem de Cristo.

 É hora de acordar para a realidade. É hora de ler e estudar as Escrituras Sagradas. A razão de se aceitar qualquer letra de cântico é por desconhecer as Escrituras. No momento em que as pessoas deixarem a palavra de Cristo habitar em seus corações (Cl 3.16), verão que não há espaço para outra palavra em sua vida que não seja a das Escrituras Sagradas.

E veja bem: Nem estou falando de estilo musical; de ritmo e de uso de instrumentos porque estas coisas são culturais. Cada povo em sua cultura, e até mesmo na cultura denominacional de algumas igrejas usa-se o estilo que lhes é apropriado e o ritmo que lhes convém. Estou falando da verdade de Cristo que não aparece nas letras insossas, sem sabor; letras que não ajudam na transformação interior das pessoas, mas que apenas alimentam suas almas e anelos pessoais. Sim, porque quando a letra é bíblica, a verdade é apetitosa, gostosa, apreciável e inquestionável na transformação do indivíduo.

Por isso, boa parte das letras dos cânticos hoje são letras vazias para corações vazios. Ou será que são letras vazias para corações mundanos? Letras vazias para corações que não amam verdadeiramente a Cristo?

Pense nisso, e me responda sinceramente se estou certo ou errado!