A Grande Meretriz e suas Filhas

A Grande Meretriz e suas Filhas

1 de Maio de 2013 22 Por Pr. João de Souza

“Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA” (Ap 17.5).

Apocalipse 17 impressiona pela descrição de um sistema político e religioso apresentado na figura de uma mulher, chamada Babilônia. Na realidade, a mulher no NT é figura da igreja. Esta mulher vista por João, esbanjava luxúria, riquezas, poder e domínio sobre os governos da terra.

“Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição” (v 4).

João vê a mulher embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus, e se admira com a visão. Por que teria se admirado tanto? Algo o surpreendeu que o deixou atônito! João podia naquele momento ver o futuro distante e, certamente vê que a mulher é a igreja, mas também é uma cidade, porque logo depois o anjo revela a João quem é a mulher de sua visão:

“As sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis, dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco” (vv. 9-10).

Interessa-me, sobremaneira saber quem é a mulher, e não necessariamente descobrir quem são os reis. A mulher, figura da igreja é também a cidade de Roma, cidade que está assentada sobre sete montes, cuja revelação está no v 18: “A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra”. Naquele tempo se tratava de Roma, a capital do império. Isto indica que n visão do futuro que João teve, ele percebe que a mulher e a cidade – a igreja e Roma – são uma só coisa.

“Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17.15). E quem se assentou sobre as nações nos últimos dois mil anos?

Esta mulher que representa a igreja e ao mesmo tempo representa o poder político é chamada de Babilônia. Sim, porque a Babilônia começa em Gênesis 10.10 edificada na planície de Sinear e em cujo território foi construída a grande torre para dominar os povos da terra (Gn 11.19), e o nome significa confusão, mistura e grandeza. O auge de Babilônia é visto nas profecias de Isaías, Jeremias e no livro de Daniel. Na planície de Sinear passaram a habitar povos conquistados de todas as nações do mundo, até que Dario e Ciro conquistaram a região e mudaram o império para os medos e persas.

É possível que Pedro tenha se referido a Roma quando escreveu: “Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita, vos saúda, como igualmente meu filho Marcos” (1 Pe 5.13). A igreja que se encontrava em Babilônia, pode ser uma referência a Roma, vista pelo apóstolo como a continuação do sistema babilônico.

Sim, porque mais adiante no livro de Apocalipse é anunciada a queda da Babilônia – referindo-se agora a uma cidade político-religiosa, que tudo indica ser Roma.

Três versículos do Apocalipse tratam da queda desse poder religioso:

“Então, exclamou com potente voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo e esconderijo de todo gênero de ave imunda e detestável, (…)  e, conservando-se de longe, pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! Ai! Tu, grande cidade, Babilônia, tu, poderosa cidade! Pois, em uma só hora, chegou o teu juízo. (…) Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra de moinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada” (Ap 18.2, 10, 21).

É preciso entender que nesta época a antiga Babilônia da planície de Sinear já não mais existia como reino, portanto, trata-se de uma alusão perfeita a Roma, conforme a interpretação dada pelo anjo a João: A cidade que domina sobre os reis da terra. O capítulo 18 de Apocalipse continua a tratar desse sistema político-religioso que até hoje domina os reis da terra. Presidentes e reis de todas as nações vão ao Vaticano porque reconhecem o Papa como um líder de Estado; mas, por outro lado é o guia espiritual da igreja romana. O Papa é o pontífice, ou a ponte entre Deus e os homens; o vigário de Deus na terra ou o representante de Deus entre os homens. Portanto, o Papa tem amplos poderes políticos e religiosos. É uma política religiosa que domina, pois e em cada parte do mundo tem suas Sés representadas por seus líderes religiosos: padres, bispos, arcebispos e cardeais. Nenhum governo ousa interferir nas atividades da igreja romana!

O Vaticano é um estado autônomo dentro da cidade de Roma desde 1929 quando passou a ter sua própria polícia e sua própria economia, nada tendo a ver com a cidade de Roma politicamente, mas exercendo sobre esta muita influência.

Conforme a Wikipedia, a disputa entre o Estado e a Igreja, chamada de questão romana só terminou em fevereiro de 1929 quando o ditador fascista Benito Mussolini e o Papa Pio XI assinaram o Tratado de Latrão, pelo qual a Itália reconhece a soberania da Santa Sé sobre o Vaticano que é declarado Estado soberano, neutro e inviolável. (Alguns intérpretes contam os sete reis (Ap 17.9) a partir de Pio XI como o primeiro rei. Depois vieram Pio XII; João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e o atual Papa Francisco – que seria “o oitavo rei e procede dos sete, e caminha para a destruição” (Ap 17.9-11)). Mas ao mesmo tempo que é arriscado fazer tal tipo de interpretação, é viável pensar nesses sete reis a partir de 1929 quando foi criado o Estado do Vaticano.

 Por que o sistema religioso é chamado de meretriz?

As meretrizes sempre trabalharam com a arte da sutileza e do engano, e existe até uma lista das dez meretrizes mais famosas do mundo, incluindo a espiã da primeira guerra mundial Mata Hari. Em tempos idos essas mulheres viviam no luxo, eram ricas, e em seu poder existiam outras mulheres que eram oferecidas a generais, governantes etc. como acontece até hoje.

Em Apocalipse 18 a Babilônia meretriz está associada aos demônios, à prostituição e ao comércio. “Pois todas as nações têm bebido do vinho do furor da sua prostituição. Com ela se prostituíram os reis da terra. Também os mercadores da terra se enriqueceram à custa da sua luxúria” (Ap 18.3).

E por que os santos, apóstolos e profetas exultarão com sua queda? Porque ela perseguiu e matou ao longo da história todos os que não concordavam com seus dogmas. Quem não concordasse com um dogma qualquer era morto. Basta ler o Livro dos Mártires de John Foxe. Nessa Babilônia “se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra” (Ap 18.24). Qualquer pessoa que conhece um pouco da história mundial concordará com o que estou dizendo: Porque a igreja romana e seu braço político invadiu as nações da terra, e sob sua alçada eram exterminados impérios antigos, como os Incas, os Maias e os Astecas. Os holandeses e franceses que vieram para o Brasil fugindo da perseguição religiosa de Roma, não encontraram aqui seu refúgio e foram postos a correr pela mão da igreja católica romana que dominava politicamente na Europa. Etc.

A mãe das meretrizes

Mas, atenção, Babilônia ou Roma não é a única meretriz! João a vê como “a mãe das meretrizes”. Essa meretriz é um sistema religioso e político, e não se pode acusar a igreja romana de ser a única meretriz, mas todo sistema religioso que seduz e domina, quer espiritual ou politicamente é uma das filhas dessa grande meretriz. A Reforma que era para restaurar a igreja apóstata gerou outras filhas apóstatas. A Mãe das Meretrizes continua gerando filhas. Protestantes, Evangélicos e Pentecostais, grupos que surgiram com ideais de santidade se apostataram e geraram novas meretrizes. Estas usam da espiritualidade e da política para exercer domínio e até mesmo perseguir os santos de Deus. Por isso a urgência da voz que se ouviu do céu: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados…” (Ap 18.4).

É difícil acreditar, mas a igreja verdadeira, o corpo de Cristo subsiste em meio aos sistemas religiosos. Não se sabe como, nem até quando!