Covardia

Covardia

10 de agosto de 2011 54 Por Pr. João de Souza

Covardia

Letra: Léa Mendonça

Um dos meus leitores me sugeriu ler a letra de Léa Mendonça. Copiei-a do site do Terra. Achei estranho o tipo de abordagem porque a autora se sobrepõe até a Deus quando afirma:

“No teu nome eu curei
No teu nome vidas restaurei
No teu nome muitos filhos
Como o pródigo arrependido
Devolvi as suas mãos
Transformei noites sombrias
Em alegres e doces manhãs
Em teu nome transportei
Das trevas pro teu reino multidões

Quem estava em guerra era eu.”

Não é Deus nem Jesus cantando.

Até aqui, imaginei que se tratava do próprio Jesus cantando, o que não é errado, já que o livro de Hebreus afirma que Jesus entoa louvores a Deus no meio da congregação ou da igreja (Hb 2.12). Existem muitos cânticos com teor profético em que Deus mesmo canta pro seu povo, como o cântico “Sou eu aquele o grande eu sou e onde estás também estou; não disse eu há muito já, pedi, pedi receberás; pedi com fé e com fervor e vos darei o Consolador” (H.C. 84). O cântico todo é Deus falando. Mas ao chegar nas frases seguintes do cântico percebe-se que não é Jesus quem profeticamente canta, mas a autora. Sim, ela mesma é a guerreira que sem Deus guerreia. Por que afirmo que ela guerreia sem Deus? Pelas duas últimas frases do cântico: “Agora quem vai fundo nessa guerra fria; pra acabar de vez com essa covardia é Deus.” É isso que dá entrar na batalha sem Deus, e só apelar pra ele quando se é derrotado!

Mas, ela mesma afirma que “quem estava em guerra era eu!” Pois é Léa Mendonça é isso que dá fazer guerra contra o diabo por conta própria. Felizmente no fim do seu cântico você se confessa derrotada e entrega suas guerras a Deus.

“Saqueando o inferno com o meu louvor a deus
Enquanto eu adorava o inimigo covardemente
Acertou um dos meus; Mas eu não me dei por vencido
Não pensei em pedir trégua nem paz
Não baixei a minha guarda, estava decidido
Levantar bandeira branca, jamais
Não me rendo, não me entrego
Não me quebro, não desisto
Continuo a serviço do rei
Não é chorando pelos cantos
Mas é de cabeça erguida
Que aguardo a providência de deus
Ai daquele que tocar nos bens de um ungido
Melhor seria ele não ter nascido
Agora quem vai fundo nessa guerra fria
Pra acabar de vez com essa covardia é Deus.

Pelo menos a autora da letra confessa que ao agir como guerreira sozinha foi derrotada sofrendo revezes do diabo. Agora, finalmente deixa que Deus lute suas guerras.

Por que as pessoas fazem letras assim?

1. Porque este é um estilo de melodia e letra que os cantores pentecostais – especialmente as cantoras – entoam. É aquela música acelerada em que as letras nem cabem no compasso, mas que emocionam as pessoas no culto a Deus. Emoção que vem mais pelo ritmo e letra do que pela mensagem bíblica.

2. Por desconhecer o que é batalha espiritual na Bíblia. Autores assim se põem a escrever letras que sejam populares sem se importarem se estão biblicamente corretas ou não.

3. Porque escrevem letras para agradar as pessoas e não para se manterem fieis ao que afirma as Escrituras.

Algumas dessas cantoras cantam com raiva, como se a raiva fosse sinônimo de garra. A garra está em se lutar, e não em se cantar como se estivesse agredindo o diabo, o povo e a Deus. Até o povo se sente agredido ao som da música e das letras que tais cantoras entoam.

Gostaria que a autora desta letra me escrevesse e eu lhe falaria abertamente o que aqui estou escrevendo.