{"id":346,"date":"2008-12-18T18:09:15","date_gmt":"2008-12-18T20:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/?p=346"},"modified":"2010-12-03T18:11:36","modified_gmt":"2010-12-03T20:11:36","slug":"igreja-nos-lares-nao-como-metodo-mas-como-estilo-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pastorjoaodesouza.com.br\/123\/?p=346","title":{"rendered":"Igreja nos lares &#8211; N\u00e3o como m\u00e9todo, mas como estilo de vida"},"content":{"rendered":"<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: Impedido de falar, por motivo de doen\u00e7a no encontro de l\u00edderes sobre igrejas nas casas, escrevi, a pedido de Pedro Arruda o material que a\u00ed est\u00e1. Obviamente que falta a fala do autor, mas sublinho em negrito os pontos que precisavam ser melhor esclarecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre que este tema \u00e9 apresentado ou discutido a id\u00e9ia que vem \u00e0 mente das pessoas \u00e9 que a igreja nos lares \u00e9 apenas um adendo ou uma estrutura funcional que auxilia a igreja \u2013 e aqui me refiro a igreja como organiza\u00e7\u00e3o \u2013 em sua miss\u00e3o na terra. Sim, porque a id\u00e9ia de templo como local de reuni\u00e3o, seja um galp\u00e3o, um sal\u00e3o ou uma constru\u00e7\u00e3o especialmente feita para a reuni\u00e3o dos irm\u00e3os obscurece o valor do lar e o arremete a\u00a0 um segundo ou terceiro plano. Neste estudo abordaremos a igreja como reuni\u00e3o no lar \u00e0 luz do Israel do AT, da pr\u00e1tica de igreja nos dois primeiros s\u00e9culos e o lugar que tiveram os lares ou as casas ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pontos em negrito indicam que o autor precisaria explanar e esclarecer melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">I. A vida religiosa de Israel no Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nos legou um conceito de igreja ou de templo sempre ligado a pr\u00e9dios ou santu\u00e1rios como lugares de encontro do povo e da adora\u00e7\u00e3o a Deus. A igreja virou sin\u00f4nimo de pr\u00e9dio. O templo, lugar de adora\u00e7\u00e3o. \u201cVamos nos encontrar \u00e0s 15 h em frente da igreja\u201d, e na realidade o ponto de encontro \u00e9 um pr\u00e9dio em algum lugar da cidade.\u00a0 Os crist\u00e3os e as pessoas que evangelizamos e que v\u00eam de uma tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o conseguem conceber uma igreja sem pr\u00e9dios, encontrando-se em lares, pra\u00e7as, bosques e praias, porque a mentalidade ocidental inculcou na nossa cultura que para se adorar a Deus ou se reunir com os irm\u00e3os faz-se necess\u00e1rio comparecer a um templo ou santu\u00e1rio. \u00c9 neste sentido que afirmo que culturalmente a id\u00e9ia de igreja reunindo-se nos lares tem de ser novamente re-conceituada e re-ensinada, porque o que se ouve e o que se ensina \u00e9 que a igreja nos lares \u00e9 um m\u00e9todo a mais na estrat\u00e9gia de evangeliza\u00e7\u00e3o, quando na realidade ela \u00e9 a raz\u00e3o da exist\u00eancia da igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomemos como exemplo a \u201cigreja\u201d do AT, isto \u00e9, a na\u00e7\u00e3o de Israel. Havia um tabern\u00e1culo no deserto que depois esteve em Gilgal, Betel, Sil\u00f3, s\u00f3 para citar essas localidades e depois Jerusal\u00e9m. O tabern\u00e1culo foi substitu\u00eddo pelo templo de Salom\u00e3o e \u00e9 a partir da\u00ed que os crist\u00e3os enxergam o templo como local de adora\u00e7\u00e3o. O templo do AT \u00e9 assunto que deve ser tratado \u00e0 parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que quero afirmar \u00e9 que o povo tinha o compromisso de ir a Jerusal\u00e9m para cultuar como na\u00e7\u00e3o tr\u00eas vezes ao ano \u2013 mas nem todos tinham condi\u00e7\u00f5es de ir at\u00e9 l\u00e1. Isto quer dizer que os encontros em Jerusal\u00e9m para celebrar a P\u00e1scoa, a Expia\u00e7\u00e3o eram mais para manter a unidade religiosa da na\u00e7\u00e3o do que como meio de culto a Deus, porque a vida religiosa de Israel era di\u00e1ria, semanal e mensal nas casas, ou nas fam\u00edlias. Jerusal\u00e9m era apenas um centro de refer\u00eancia religiosa e governamental, porque o culto a Deus, a ora\u00e7\u00e3o, a leitura da Lei e a guarda dos preceitos eram feita nos lares. Portanto, a vida religiosa do povo de Deus n\u00e3o ficava restrita a um local, mas ao lar de cada israelita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde as sinagogas \u2013 que alguns afirmam haver surgido na \u00e9poca do desterro \u2013 constitu\u00edam-se locais de encontros aos s\u00e1bados para a leitura da lei e para as ora\u00e7\u00f5es. Havia v\u00e1rias sinagogas numa mesma cidade, gra\u00e7as ao esfor\u00e7o benem\u00e9rito de algu\u00e9m mais abastado que edificava ou separava um local para a leitura da lei. Mas, as sinagogas eram limitadas praticamente ao dia de descanso, ou S\u00e1bado para a leitura da lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido n\u00e3o quero ser prolixo porque entendo que meus leitores conhecem bem o funcionamento da vida espiritual do povo de Deus no Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">II. A vida religiosa do Novo Testamento (a transi\u00e7\u00e3o sinagoga\/igreja) nos dias apost\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certos textos b\u00edblicos, quando mal explanados podem dar uma id\u00e9ia errada do templo dos dias do Novo Testamento como se este fosse um local onde todo o povo entrava para adorar a Deus. Exemplo disto \u00e9 Atos 2.46: \u201cDiariamente perseveravam un\u00e2nimes no templo, partiam p\u00e3o de casa em casa e tomavam as suas refei\u00e7\u00f5es com alegria e singeleza de cora\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d. Muitos irm\u00e3os por terem um conceito errado de templo acreditam que os primeiros crist\u00e3os se reuniam no templo de Jerusal\u00e9m, e esquecem que, tanto no templo do AT como do NT s\u00f3 entravam dentro dele os sacerdotes para realizar os of\u00edcios sagrados. Nem todo levita ou sacerdote entrava ali, a menos que estivesse escalado, isto \u00e9, que seu turno o obrigasse a entrar no santu\u00e1rio para oferecer as oferendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Culturalmente o povo se reunia no templo, como nos reunimos na pra\u00e7a central da cidade, porque ao redor do templo funcionava n\u00e3o apenas a vida religiosa do povo, mas o com\u00e9rcio, a venda de verduras, peixes, animais para o sacrif\u00edcio, etc. Um cidad\u00e3o residente em D\u00e3, vendia l\u00e1 seu cordeiro que queria ofertar em sacrif\u00edcio para comprar outro em Jerusal\u00e9m \u2013 no templo! Jesus n\u00e3o condenou a vendagem de material, ele condenou os que faziam do lugar um com\u00e9rcio lucrativo, pois o israelita com o pre\u00e7o da venda em D\u00e3 n\u00e3o conseguia comprar um casal de pombos em Jerusal\u00e9m tal a gan\u00e2ncia dos mercadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como havia p\u00e1tios especiais para ora\u00e7\u00f5es, os irm\u00e3os da emergente igreja para l\u00e1 se dirigiam a fim de orar, como Pedro e Jo\u00e3o, no epis\u00f3dio de Atos 3 que foram ao templo para a ora\u00e7\u00e3o das 15 horas. A vida religiosa, no entanto, continuava fora do templo, nas vilas e cidades de toda a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus parece deixar bem claro que o verdadeiro templo \u00e9 formado de pessoas e n\u00e3o de tijolos. Nos dias de Jeremias o povo zombava do profeta argumentando que Deus n\u00e3o destruiria o lugar de sua habita\u00e7\u00e3o, o templo e por isso diziam, \u201ctemplo do Senhor! Templo do Senhor!\u201d, como a dizer que Deus n\u00e3o permitira que o templo, local de sua habita\u00e7\u00e3o fosse destru\u00eddo. Jeremias os advertia: \u201cN\u00e3o confieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR \u00e9 este\u201d (Jr 7.4) e Deus lhes dizia: \u201cfarei tamb\u00e9m a esta casa que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a v\u00f3s outros e a vossos pais, como fiz a Silo\u201d (Jr 7.14). O povo tinha a id\u00e9ia de que em tempos de guerra podia se refugiar no templo e dizer: \u201cestamos salvos\u201d (7.10). Mas, Deus lhes tirou toda esperan\u00e7a e lhes dizia: \u201cV\u00e3o a Sil\u00f3, o primeiro lugar que escolhi para nele ser adorado, e vejam o que eu fiz ali por causa da maldade de Israel, o meu povo\u201d (v 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi assim que Jesus profetizou a destrui\u00e7\u00e3o do templo de Jerusal\u00e9m que ocorreu no ano 70 da era crist\u00e3. Depois que o templo foi totalmente destru\u00eddo e queimado pela ocupa\u00e7\u00e3o romana o povo judeu continuou com sua vida religiosa, porque, na realidade, culturalmente as fam\u00edlias tinham uma vida religiosa centrada no lar e n\u00e3o num lugar. Desta maneira cresceu a igreja, reunindo-se em casas e locais diversos, \u00e0s vezes v\u00e1rios grupos de irm\u00e3os numa mesma cidade em locais separados, porque a ess\u00eancia da vida crist\u00e3 n\u00e3o se resumia a um local, mas ao lar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque Deus n\u00e3o precisa de templos materiais, de locais fixos para ser adorado; (lembra-se do que ele disse \u00e0 mulher samaritana sobre a verdadeira adora\u00e7\u00e3o?) o templo, na realidade \u00e9 uma figura do verdadeiro templo \u2013 o conjunto de pessoas que formam seu santu\u00e1rio. O templo de Salom\u00e3o aponta escatologicamente para a Igreja, o templo de Deus, sua casa de ora\u00e7\u00e3o. A casa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos \u00e9 a igreja!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais de trezentos anos, desde seu in\u00edcio at\u00e9 a \u00e9poca de Constantino a igreja se reunia em casas sem precisar de um local chamado de templo ou santu\u00e1rio. As casas eram adaptadas para a reuni\u00e3o da fam\u00edlia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">III. A igreja subsistiu na hist\u00f3ria nas casas e lares dos fieis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 e os valores crist\u00e3os foram preservados nos lares e na vida em fam\u00edlia. A igreja peregrina jamais se amoldou ao sistema do mundo nem ao institucionalismo organizacional. O sistema ou a institui\u00e7\u00e3o costuma preservar mais os valores terreais que os espirituais. Por isso, Deus sempre envia o fogo do avivamento para despertar seus filhos, estejam estes em igrejas hist\u00f3ricas ou igrejas novas. Na hist\u00f3ria da igreja \u00e9 poss\u00edvel perceber que a f\u00e9 dos primeiros ap\u00f3stolos foi preservada e mantida nas casas da It\u00e1lia, no Piedmont, nos vales alpinos e revivificada mais coletivamente com Pedro Waldo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, fa\u00e7o um resumo daquele per\u00edodo da hist\u00f3ria para que nossos leitores entendam a verdadeira fun\u00e7\u00e3o da casa e do lar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de casas e lares pelos irm\u00e3os atrav\u00e9s da hist\u00f3ria \u00e9 que determinou a continuidade da mensagem evang\u00e9lica. Os poucos registros hist\u00f3ricos deixam entrever que a revolu\u00e7\u00e3o espiritual que antecedeu a Reforma e os avivamentos subseq\u00fcentes tiveram lugar, prioritariamente nos lares. Assim como os mosteiros serviram de ber\u00e7o para que as riquezas da palavra de Deus fossem preservadas nas persegui\u00e7\u00f5es \u2013 c\u00f3pias manuais das escrituras e trechos da palavra de Deus, as casas ou os castelos em feudos e col\u00f4nias serviram de sementeira para as reformas espirituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultura religiosa da Idade M\u00e9dia exigia que as pessoas se reunissem em templos e catedrais para comungar, ouvir serm\u00f5es e dar provas de sua f\u00e9 em Cristo. Numa \u00e9poca em que a igreja institucional mantinha tamb\u00e9m um governo civil reunir-se fora dos santu\u00e1rios era sinal de rebeli\u00e3o. Esta cena passou a ser modificada com um dos pr\u00e9-reformistas, Pedro Waldo (1160). Nascido em Lyons, Pedro Waldo, um pr\u00f3spero comerciante e banqueiro deu uma grande festa em sua casa, e foi levado ao arrependimento e confiss\u00e3o de pecados por um dos convidados. (Os que levaram Pedro Waldo ao novo nascimento n\u00e3o eram reformistas, mas irm\u00e3os que pertenciam a uma gera\u00e7\u00e3o de crentes fieis que ocuparam desde o primeiro s\u00e9culo at\u00e9 este per\u00edodo (ao redor do ano 1.100) os vales da Fran\u00e7a e da It\u00e1lia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois de convertido Pedro contratou tradutores que traduziram parte do evangelho no dialeto do povo. Pedro Waldo vendeu seus bens, doou parte aos pobres e ele mesmo se tornou um dos ap\u00f3stolos waldenses despojados de qualquer riqueza. Ele e os seguidores escolheram a pobreza e dependiam que cada igreja, em cada localidade fizesse a necess\u00e1ria provis\u00e3o para que os membros apost\u00f3licos continuassem sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira men\u00e7\u00e3o deste per\u00edodo da hist\u00f3ria de que se reuniam em casas nos vales do Piedmont vem da pena do historiador E.H. Broadbent: \u201cQuando as casas n\u00e3o mais comportavam e locais simples eram constru\u00eddos, edificavam anexos, ou casas junto as demais para abrigar e cuidar dos pobres e idosos&#8230; Liam as escrituras, tinham adora\u00e7\u00e3o familiar todos os dias, e entre os que lhes pregavam a palavra estavam pessoas treinadas e capacitadas cultural e espiritualmente.\u201d O pr\u00f3prio Papa Inocente III (1198-1216) testemunhou que os leigos treinados pregavam e ensinavam a palavra de Deus; e que os waldenses ouviam apenas os homens que tinham bom testemunho de Deus em suas vidas. <a href=\"#_edn1\">1<\/a>Assim, numa \u00e9poca em que s\u00f3 o clero podia pregar e ensinar, Pedro Waldo liderou uma equipe que revolucionou a Europa nos 400 anos seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se levar em conta que a igreja institucional sempre tachou de hereges quaisquer movimentos contr\u00e1rios aos seus ensinamentos; exemplo do que quero afirmar \u00e9 o conceito de que os albingenses eram her\u00e9ticos, pois o que se sabe sobre ele procede de opini\u00f5es contr\u00e1rias, j\u00e1 que era um movimento de busca pela santidade, da\u00ed seu nome, c\u00e1taros, ou puros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do s\u00e9culo XII aparecem registros de que os irm\u00e3os usavam casas onde pobres e enfermos sobreviviam por doa\u00e7\u00f5es de ricos benfeitores. N\u00e3o eram conventos, mas casas, resid\u00eancias, e os que nelas viviam eram conhecidos como os paup\u00e9rrimos de Cristo. <a href=\"#_edn2\">2<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duzentos anos depois, perseguidos pelo Papa Clement VII (1380) os waldenses eram queimados e torturados; as fam\u00edlias que se refugiaram nas montanhas\u00a0 morreram de fome e frio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o resta d\u00favidas de que a semente da reforma germinava nas casas, tamb\u00e9m no per\u00edodo de Wiclyff, de Jo\u00e3o Hus e dos Irm\u00e3os Unidos. Documentos que poderiam registrar a hist\u00f3ria dos Irm\u00e3os, dos Pobres de Deus e da doutrina ensinada em casas foram queimados. Jo\u00e3o Hus, a caminho do mart\u00edrio em Constan\u00e7a, acompanhado por uma guarni\u00e7\u00e3o de mil soldados viu uma fogueira ardendo na pra\u00e7a da cidade onde seus escritos estavam sendo devorados pelo fogo. Anos depois os jesu\u00edtas se encarregaram de queimar os documentos e registros escritos por esses pr\u00e9-reformadores, como os dos pobres de Deus, dos Irm\u00e3os e dos Amigos de Deus. <a href=\"#_edn3\">3<\/a> Broadbent relata: \u201cAssim como anteriormente (referindo-se \u00e0 \u00e9poca de Pedro Waldo) a literatura dos crist\u00e3os foi destru\u00edda e bem como a hist\u00f3ria escrita por seus inimigos, tamb\u00e9m no s\u00e9culo XVI fizeram a mesma coisa, e, tendo em vista o linguajar violento comum daquele tempo \u00e9 preciso pesquisar quaisquer resqu\u00edcios do que eles escreveram\u201d. <a href=\"#_edn4\">4<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perseguidos desde os tempos de Pedro Waldo, esses irm\u00e3os que decidiram viver a vida crist\u00e3 conforme o modelo de Cristo e dos ap\u00f3stolos, muitas vezes nem casas tinham nos vilarejos para morar e constru\u00edam pequenos agrupamentos de casas nas montanhas, como foi o caso dos Amigos de Deus de Oberland, cujo l\u00edder, Tauler construiu com seus recursos ref\u00fagios nas montanhas para os irm\u00e3os perseguidos. Tauler, um homem rico, usou de suas posses para ajudar os obreiros e ap\u00f3stolos que viajavam por toda a Europa. Falava italiano e alem\u00e3o e os registros hist\u00f3ricos indicam que o pequeno local que os irm\u00e3os tinham nas montanhas era simples e modesto. Ele afirmou: \u201cN\u00e3o \u00e9 melhor usar o dinheiro para ajudar os pobres do que construir um convento?\u201d. <a href=\"#_edn5\">5<\/a> A f\u00e9 simples e poderosa desses irm\u00e3os perseguidos, amea\u00e7ados, e lan\u00e7ados em fogueiras, semearam a Reforma por toda a Europa s\u00e9culos antes de Lutero. Os pr\u00f3prios waldenses permaneceram por quase quatro s\u00e9culos nos vales e montes at\u00e9 os tempos da Reforma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se percebe nas entrelinhas da hist\u00f3ria \u00e9 a exist\u00eancia de uma igreja org\u00e2nica paralela \u00e0 igreja institucional buscando viver os mandamentos de Jesus Cristo. Por isso durante s\u00e9culos as fogueiras arderam por toda Europa queimando m\u00e1rtires e livros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja este dado da hist\u00f3ria:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um s\u00e9culo depois da Reforma de Lutero \u201cfoi solicitado ao Prior Marco Aur\u00e9lio Rorenco, de Turim em 1630 que escrevesse um relato contando a hist\u00f3ria e as opini\u00f5es dos waldenses. Ele escreveu que os waldenses s\u00e3o t\u00e3o antigos que n\u00e3o se pode indicar o tempo em que surgiram, mas que, no s\u00e9culo IX e X n\u00e3o eram uma nova seita. Acrescentou que no s\u00e9culo nono, longe de ser uma nova seita eram considerados uma ra\u00e7a de fomentadores e encorajadores de opini\u00f5es de pessoas que existiam antes deles. Depois acrescentou que Cl\u00e1udio, Bispo de Turim era reconhecidamente um desses encorajadores, porque ele pr\u00f3prio negava rever\u00eancia \u00e0 cruz, rejeitava a venera\u00e7\u00e3o e invoca\u00e7\u00e3o aos santos e era o principal destruidor de imagens. Em seu coment\u00e1rio sobre a ep\u00edstola aos g\u00e1latas, Cl\u00e1udio ensinava abertamente a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 e apontava os erros da igreja que se desviara desta verdade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs irm\u00e3os que viviam nos vales nunca perderam a no\u00e7\u00e3o de sua origem e de sua continua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Quando a partir do s\u00e9culo catorze os vales foram invadidos e as pessoas tinham que negociar com os governos, eles sempre enfatizavam suas origens. Ao Pr\u00edncipe de Savoy, que os conhecia fazia anos, podiam sempre falar abertamente de sua f\u00e9 afirmando que o que criam e praticavam vinha deste tempos imemoriais, desde os tempos dos ap\u00f3stolos. Em 1544 eles disseram a Francis I imperador da Fran\u00e7a: \u201cEsta confiss\u00e3o n\u00f3s a recebemos de nossos antepassados, de pessoa a pessoa. (sic) Esta nossa religi\u00e3o que praticamos n\u00e3o \u00e9 coisa desses dias, ou uma religi\u00e3o inventada alguns anos atr\u00e1s, como afirmam nossos inimigos, mas \u00e9 a religi\u00e3o de nossos pais e de nossos av\u00f3s, sim, e de pais que viveram em tempos remotos. \u00c9 a religi\u00e3o dos santos e dos m\u00e1rtires, dos que faziam confiss\u00e3o apost\u00f3lica.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando entraram em contato com os reformadores no s\u00e9culo XVI disseram: \u201cNossos antepassados afirmavam que existimos desde o tempo dos ap\u00f3stolos. Em 1689 quando os valdenses retornaram para seus vales, seu l\u00edder, Henri Arnold afirmou que sua religi\u00e3o \u00e9 t\u00e3o antiga quanto o nome deles \u00e9 venerado, e cita o relato do inquisidor Reinarius, que num relato ao Papa sobre a quest\u00e3o da f\u00e9 explica que \u2018eles existem desde os tempos antigos\u2019. Arnold relata que \u00e9 dif\u00edcil imaginar que este bando de fieis j\u00e1 existia nos vales do Piedmont por mais de quatro s\u00e9culos antes da apari\u00e7\u00e3o desses extraordin\u00e1rios homens como Lutero e Calvino e os subseq\u00fcentes far\u00f3is da Reforma. A igreja nunca foi reformada para ter o t\u00edtulo de evang\u00e9lica. Os waldenses, de fato, descendem dos refugiados da It\u00e1lia que, depois de ouvirem o evangelho pregado por Paulo, abandonaram seu lindo pa\u00eds e fugiram, como aquela mulher do livro de Apocalipse, para estas montanhas selvagens, onde at\u00e9 o dia de hoje guardam o evangelho, de pai para filho, na mesma pureza e simplicidade dos dias de Paulo, o ap\u00f3stolo\u201d. <a href=\"#_edn6\">6<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concomitante a isto, isto \u00e9, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em lares e grupos que se refugiavam em vales e montanhas da Europa, a famosa universidade de Oxford serviu de sementeira para que germinasse a id\u00e9ia da Reforma entre a classe estudantil e professoral. Foi a partir da universidade de Oxford que John Wycliff influenciou a Jo\u00e3o Hus e Jer\u00f4nimo de Praga. O certo \u00e9 que havia muita gente estudando as escrituras e se reunindo em casas como resultado da influ\u00eancia dos waldenses, de Wycliff na Inglaterra e seus seguidores, os lolardos, e de Jo\u00e3o Hus na universidade de Praga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos amigos de Zwinglio (enquanto este estava a favor dos Irm\u00e3os, porque depois se tornou um dos maiores perseguidores dos anabatistas), Felix Manz se reunia na casa de sua m\u00e3e, uma fiel crist\u00e3. <a href=\"#_edn7\">7<\/a> Na grande persegui\u00e7\u00e3o luterana e zwingliana contra os Irm\u00e3os (anabatistas) a hist\u00f3ria registra que em Salzburg os irm\u00e3os que se reuniam na casa de um pastor foram pegos de surpresa e um grande n\u00famero decapitado e afogado nas \u00e1guas. (Existem dados hist\u00f3ricos sobre a persegui\u00e7\u00e3o que as duas igrejas institucionalizadas da \u00e9poca, a Romana e a Luterana empreenderam contra os Irm\u00e3os, que eram mortos por afogamento, queimados ou decapitados. Dezenas de relatos de mortes por afogamento por parte dos seguidores de Lutero e de Zwinglio contra os Irm\u00e3os mancharam as p\u00e1ginas da Reforma).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos per\u00edodos da hist\u00f3ria em que os irm\u00e3os passaram a se reunir em casas com maior freq\u00fc\u00eancia, al\u00e9m das reuni\u00f5es regulares dominicais foi durante o avivamento nos dias de Wesley e Whitefield atrav\u00e9s das chamadas sociedades. Elas tiveram sua origem, n\u00e3o em Wesley, pois existem registros de que em 1678 criaram-se \u201csociedades\u201d para fortalecimento e enriquecimento espiritual dos irm\u00e3os. <a href=\"#_edn8\">8<\/a> \u201cTudo come\u00e7ou com os serm\u00f5es de avivamento do Dr. Antony Horneck na capela Savoy. Horneck era o pai dessas sociedades desde seu come\u00e7o.\u201d O objetivo era organizar grupos de jovens para orarem, estudar a B\u00edblia e conferenciar entre si semanalmente. J. Woodward relata: \u201cEram pessoas na meia esta\u00e7\u00e3o da vida que pertenciam a igreja da Inglaterra que foram tocadas com um profundo sentimento de pecado e passaram a levar a s\u00e9rio o compromisso de f\u00e9\u201d.<a href=\"#_edn9\">9<\/a> A raz\u00e3o desses grupos existirem em meio a uma igreja institucionalizada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJ\u00e1 que tinham os mesmos problemas espirituais, e todos buscavam uma vida de santidade, deveriam se reunir uma vez por semana dedicando-se a ouvir boas palavras e tudo o que fosse para edifica\u00e7\u00e3o deles. Para que as reuni\u00f5es tivessem ordem v\u00e1rias regulamenta\u00e7\u00f5es foram estabelecidas para que o objetivo n\u00e3o se perdesse\u201d <a href=\"#_edn10\">10<\/a>As regras estabeleciam que as condi\u00e7\u00f5es para que uma pessoa participasse das reuni\u00f5es \u2013 santidade pessoal, comprometimento com o grupo, com as reuni\u00f5es semanais da igreja, com o p\u00e1roco, etc., &#8211; e deveriam trabalhar pelo bem-estar social, cuidar dos enfermos e colocar as crian\u00e7as pobres nas escolas, opondo-se a todo tipo de jogo e entretenimentos mundanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde ficou estabelecido que cada membro deveria trazer, pelo menos outra pessoa para as reuni\u00f5es, o que aumentou consideravelmente o n\u00famero de membros. No ano de 1698 havia trinta e dois grupos apenas na cidade de Londres. As sociedades ou grupos que mais cresceram foram as estabelecidas em 1701 por Samuel Wesley, pai de Jo\u00e3o Wesley em sua par\u00f3quia em Epworth. Mais tarde George Whitefield (1737) come\u00e7ou a pregar para esses grupos, e ele e Jo\u00e3o Wesley usaram as \u201csociedades\u201d ou grupos para trazer aviamento para toda Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao que parece a Igreja n\u00e3o se reunia nas casas como um modelo para o avivamento, mas como forma de permanecer fiel aos ensinamentos dos primeiros ap\u00f3stolos abandonados pela igreja dominante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nomes diferentes para os mesmos remanescentes fieis. Seguindo a linha da hist\u00f3ria percebe-se que esses Irm\u00e3os foram recebendo nomes diversos ao longo dos s\u00e9culos, especialmente dos pr\u00e9-reformistas que os apelidaram pejorativamente de irm\u00e3os, apenas irm\u00e3os desde os tempos do ap\u00f3stolo Paulo; c\u00e1taros ou albingenses, os puros de Alby; waldenses, devido a Pedro Waldo, Lolardos, como seguidores de Wycliff, hussitas, por serem descendentes de Jo\u00e3o Hus, anabatistas, porque batizavam de novo, menonitas porque Simon Mennon os liderou por toda a Europa, e moravianos porque, esses mesmos Irm\u00e3os que por 350 anos peregrinavam pela Europa em busca de paz devido a persegui\u00e7\u00e3o foram acolhidos na Mor\u00e1via nas terras do Conde Von Zinzendorf.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente que as fontes hist\u00f3ricas se refiram aos albingenses como her\u00e9ticos, aos anabatistas como seita, mas, temos de levar em conta que os registros a respeito deles foram feitos por seus inimigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus tem seus fi\u00e9is ao longo da hist\u00f3ria. Que nossa casa sirva tamb\u00e9m de guardi\u00e3 da F\u00e9 de nossos pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A casa \u00e9 o ninho da fam\u00edlia&#8230; Casa fala de aconchego, de lugar seguro, de amizade e de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV. Problemas e solu\u00e7\u00f5es para que a igreja use os lares e casas como ber\u00e7o da f\u00e9, da comunh\u00e3o e da evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir estes meus pensamentos \u00e9 necess\u00e1rio abordar um aspecto negativo, que impede que a igreja se re\u00fana ou use os lares e casas de irm\u00e3os nas grandes cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Nas grandes cidades brasileiras, o povo em geral, usa suas resid\u00eancias maiormente como dormit\u00f3rio dos membros da fam\u00edlia. Pais e filhos est\u00e3o demasiadamente envolvidos no trabalho e no estudo e n\u00e3o t\u00eam tempo de se encontrar durante os dias da semana e qui\u00e7\u00e1 aos domingos. (Porque aos domingos passam o dia na \u201cigreja\u201d, no templo). A necessidade de sustento e de acompanhar tecnologicamente o avan\u00e7o da sociedade empurra os membros da fam\u00edlia para \u201cfora\u201d da casa. E, quando em casa, divertem-se usando os meios eletr\u00f4nicos, \u00e0s vezes cada um de per si. Internet, pesquisas, TV a cabo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. O espa\u00e7o para se morar nas cidades grandes est\u00e1 ficando cada vez mais reduzido. Nos pr\u00e9dios de apartamento para a popula\u00e7\u00e3o em geral as salas de estar s\u00e3o min\u00fasculas, a cozinha um mero espa\u00e7o onde s\u00f3 entra quem dela se utiliza, e a viol\u00eancia impede que as pessoas circulem durante a noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Os mais abastados que decidem residir em condom\u00ednios de apartamentos isolam-se uns dos outros e dos que residem fora dali. O acesso, \u00e0s vezes, \u00e9 impeditivo. Agregue-se a isto o fato de que os apartamentos e resid\u00eancias n\u00e3o possuem revestimento ac\u00fastico, e as paredes t\u00eam \u201couvidos\u201d. Qualquer som elevado de pessoas falando, orando ou tocando algum instrumento \u00e9 motivo de reclama\u00e7\u00e3o ao s\u00edndico, sujeitos multa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Algumas regi\u00f5es do Brasil \u2013 e esquivo-me de mencionar quais para n\u00e3o ser mal interpretado \u2013 as fam\u00edlias n\u00e3o possuem a cultura do lar, isto \u00e9, n\u00e3o costumam ter uma casa ou apto aconchegante para acolher os amigos. Al\u00e9m do ponto numero 1 que limita o uso da casa como um meio de vida para sair e entrar, os que possuem uma casa maior sequer pensam em adapt\u00e1-la como local para reunir amigos ou a igreja; geralmente os mais aquinhoados constroem sal\u00f5es para festas e encontros \u2013 para comer e beber \u2013 mas nunca como local de adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falo em cultura do lar refiro-me ao ninho da fam\u00edlia, ao aconchego, ao acolhimento, \u00e0 hospedagem e \u00e0 liberdade de qualquer amigo ou visitante se sentir tamb\u00e9m em casa. Um local onde a mam\u00e3e tem liberdade de trocar a fralda do filho; em que se pode beber \u00e1gua sem se solicitar ao propriet\u00e1rio, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa falta de cultura, como falei anteriormente \u00e9 fruto do corre-corre di\u00e1rio, quando se demora duas ou tr\u00eas horas para se deslocar do trabalho at\u00e9 a casa e vice-versa, porque todos os membros da fam\u00edlia t\u00eam de trabalhar, inclusive a esposa, o que lhes impede de usufruir as benesses do lar, como reuni\u00e3o em fam\u00edlia, conversas amig\u00e1veis ou reunir os amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algumas cidades, como a que eu resido, as pessoas se isolam atr\u00e1s de muros altos e impenetr\u00e1veis, e sequer se consegue ver o telhado das casas \u2013 seja porque as pessoas querem privacidade ou por medo da viol\u00eancia urbana. E isso j\u00e1 \u00e9 cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas d\u00e9cadas dos anos sessentas e setentas nossas casas n\u00e3o tinham muros altos, apenas uma cerca de madeira para que animais n\u00e3o entrassem ou sa\u00edssem do p\u00e1tio e os vizinhos se sentavam na cal\u00e7ada no fim da tarde para conversar, rir e jogar conversa fora. Ou conversavam olhando uns aos outros pela cerca&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver assim hoje em algumas cidades \u00e9 imposs\u00edvel. E isto faz que a cultura do lar desapare\u00e7a para dar lugar a cultura tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como mudar este quadro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Voltando-se ao estilo de vida simples sem que seja necess\u00e1rio concorrer com o mundo. N\u00e3o \u00e9 preciso possuir tudo que o mundo tenta nos impor. Um estilo de vida simples agrada a Deus. Hoje as casas dos irm\u00e3os t\u00eam televis\u00e3o, computadores e banheiros em cada c\u00f4modo&#8230; confort\u00e1vel para os membros da casa, mas n\u00e3o dispon\u00edveis para os visitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Edificando-se casas, pensando sempre nos amigos e nos irm\u00e3os da igreja, e n\u00e3o apenas na nossa fam\u00edlia. Nos \u00faltimos anos venho acompanhando o progresso material de alguns crist\u00e3os que se preocupam em ter sala de v\u00eddeo e de TV; sala de estudos; sala de estar meramente decorativa; amplo espa\u00e7o para churrascos e festas, mas, em nenhum deles notei a preocupa\u00e7\u00e3o de reservar um espa\u00e7o maior para reunir a igreja, para orar e buscar a Deus. Existem salas de v\u00eddeo, mas n\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o; salas de estudo, mas n\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o; salas com mesas de jogos, mas jamais para ora\u00e7\u00e3o e reuni\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Nas grandes cidades onde \u00e9 imposs\u00edvel se reunir em apartamentos de condom\u00ednios devido \u00e0s regras impostas pela comunidade, \u00e9 aconselh\u00e1vel que se busque alternativas mais caseiras, como por exemplo, reunir esfor\u00e7os para comprar um local e construir uma ampla casa \u2013 n\u00e3o um templo \u2013 com cozinha, salas amplas adapt\u00e1veis, espa\u00e7o para as crian\u00e7as, etc. O espa\u00e7o que n\u00e3o se tem num apto. os irm\u00e3os passam a t\u00ea-lo conjuntamente na \u201ccasa\u201d. No entanto, o conceito de igreja que os especialistas em crescimento de igreja nos empurram goela abaixo \u00e9 de fazer constru\u00e7\u00f5es megal\u00f4manas para milhares de crentes. Isto tem de ser urgentemente revisto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Criar dentro dos apartamentos um ambiente de lar apenas dispondo de cadeiras e lugares para que \u201cdois ou tr\u00eas\u201d se re\u00fanam em nome do Senhor. Mude-se o conceito de que a casa \u00e9 minha para, \u201cminha casa, sua casa\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa experi\u00eancia beste sentido foi sempre positiva e a igreja que iniciamos em Porto Alegre funcionava em nossas casas, especialmente na casa em que eu residia, com v\u00e1rios encontros semanais, de casais com seus filhos e de jovens com seus anelos e esperan\u00e7as. O que contribuiu para o surgimento de uma comunidade de amor e servi\u00e7o, sin\u00f4nimos de comunidade de adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<hr style=\"text-align: justify;\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\">1<\/a> BROADBENT, E. H. <em>The Pilgrim  Church, <\/em>p 100<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\">2<\/a> Ibid p 101<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\">3<\/a> SCHAFF, Philip, <em>Church History<\/em>, Vol VI p 107<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\">4<\/a> BROADBENT, E.H. <em>The Pilgrim Church<\/em> p 154<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\">5<\/a> Ibid \u00a0p 109-110<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref6\">6<\/a> BROADBENT, E.H. <em>The Pilgrim  Church, <\/em> pp 91-92<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref7\">7<\/a> Ibid p 168<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref8\">8<\/a> WOOD, Skevington A. <em>The Inextinguishable Blaze, <\/em>Paternoster, p 30<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref9\">9<\/a> WOODWARD, J. <em>An \u00a0Account of the Rise and Progress of the Religious Societies in the City of London, p 34 <\/em>in SCHAFF, Church History<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref10\">10<\/a> WOOD, Skevington, A\u00a0 Ibid p 34 <em>The Inextinguishable Blaze, <\/em>Paternoster, p 30<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota: Impedido de falar, por motivo de doen\u00e7a no encontro de l\u00edderes sobre igrejas nas casas, escrevi, a pedido de Pedro Arruda o material que a\u00ed est\u00e1. 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