{"id":115,"date":"2007-12-01T20:42:11","date_gmt":"2007-12-01T22:42:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pastorjoao.com.br\/123\/?p=115"},"modified":"2010-12-03T22:29:07","modified_gmt":"2010-12-04T00:29:07","slug":"refletindo-o-tema-da-adoracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pastorjoaodesouza.com.br\/123\/?p=115","title":{"rendered":"Refletindo o tema da adora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode avaliar se um projeto deu certo de um dia pro outro. Nossos m\u00e9todos e pr\u00e1ticas na igreja s\u00f3 merecem verdadeira aten\u00e7\u00e3o depois de testados ao longo de, pelo menos trinta anos de pr\u00e1tica. Pensando nisto \u00e9 que venho refletindo seriamente alguns temas da igreja, ensinamentos, pr\u00e1ticas e m\u00e9todos que defend\u00edamos com garra, unhas e dentes, e que s\u00f3 agora, depois de muitos anos podem ser avaliados. Fiz este tipo de reflex\u00e3o com respeito a muitos temas, partindo de minhas pr\u00f3prias experi\u00eancias. N\u00e3o estou afirmando nem determinando que as experi\u00eancias ditem a verdade, mas elas nos ajudam na an\u00e1lise dos fatos e servem como medidores de uma id\u00e9ia, filosofia, uma pr\u00e1tica de vida, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo. Durante muitos anos fui um ardente combatente do denominacionalismo das igrejas, e ainda o sou. Para provar a mim mesmo que era poss\u00edvel ser igreja sem ser denomina\u00e7\u00e3o, sa\u00ed da denomina\u00e7\u00e3o. Hoje, analisando seriamente o que faz de uma igreja denomina\u00e7\u00e3o, conclu\u00ed que nossos projetos de igreja, ao fim e ao cabo, se encaixam perfeitamente nos par\u00e2metros que medem uma denomina\u00e7\u00e3o. E que ningu\u00e9m \u00e9 indenominacional, at\u00e9 pelo nome pr\u00f3prio que o designa como Jo\u00e3o, Paulo ou Pedro. No fim e ao cabo at\u00e9 mesmo pequenas igrejas sem qualquer v\u00ednculo organizacional com outras acabam tornando-se denomina\u00e7\u00f5es. Ainda sou um combatente da radicaliza\u00e7\u00e3o denominacional, ciente de que podemos fazer parte de uma denomina\u00e7\u00e3o sem perder a ess\u00eancia de sermos igreja. Mas este n\u00e3o \u00e9 meu tema aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiz esta introdu\u00e7\u00e3o apenas para dizer que passados mais de quarenta anos \u00e9 poss\u00edvel fazer uma an\u00e1lise do caminho que a igreja tomou com respeito a liturgia de seus cultos, o louvor, a adora\u00e7\u00e3o e a prega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escrevi o livro O Minist\u00e9rio de Louvor da Igreja a liturgia de nossos cultos era trancada, r\u00edgida e engessada. Veja bem. Eu entendo liturgia n\u00e3o como um ritual, mas como a contribui\u00e7\u00e3o daquilo que o povo oferece no servi\u00e7o a Deus. Liturgia \u00e9 o servi\u00e7o que o povo presta a Deus e n\u00e3o um ritual. Pois na d\u00e9cada de 60 at\u00e9 a d\u00e9cada de 70 n\u00e3o eram comuns nas igrejas express\u00f5es espont\u00e2neas de louvor e adora\u00e7\u00e3o. Nem t\u00e3o pouco m\u00fasica eletr\u00f4nica. Est\u00e1vamos saindo do \u00f3rg\u00e3o de fole para o Arbon el\u00e9trico e em seguida para os key boards ou teclados, hoje comum em todas as igrejas. Ouviam-se aqui e ali alguns sons estridentes de nossas guitarras e o barulho &#8211; hoje ensurdecedor &#8211; de certas baterias mal tocadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda durante a d\u00e9cada de sessenta as igrejas usavam apenas os hinos dos hin\u00e1rios nos cultos, e raramente um ou outro c\u00e2ntico, que alguns ainda insistem chamar de &#8220;corinhos&#8221; o que eu acho uma aberra\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica. E como eu gostava dos tais &#8220;corinhos&#8221;, termo que abandonei h\u00e1 muito tempo, chamavam-me de &#8220;corinheiro&#8221;. Uma ofensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste tempo apareceram os irm\u00e3os do Evangelho Quadrangular entoando melodias mais populares em seus cultos, a maioria realizados nas tendas ou ao ar-livre. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que cada avivamento carrega sua pr\u00f3pria hinologia, e os irm\u00e3os do Evangelho Quadrangular com suas m\u00fasicas simples, de letras f\u00e1ceis de serem memorizadas pela popula\u00e7\u00e3o de baixa renda e escolaridade, trouxeram uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a igreja brasileira. Quem n\u00e3o conhece, &#8220;A minha alma est\u00e1 cheia de paz&#8221; ou &#8220;Eu vou cantar no c\u00e9u&#8221;? Aquela gente que n\u00e3o tinha hin\u00e1rio nem acesso a eles celebrava com alegria simples e popular seu louvor a Deus. Quando os c\u00e2nticos simples de serem entoados foram deixados de lado, a igreja diminuiu seu ritmo de crescimento. Estou certo ou errado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Esp\u00edrito Santo come\u00e7ou a soprar o vento do avivamento na d\u00e9cada de setenta, pequenos c\u00e2nticos de adora\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a ser entoados pelo Brasil. Surgiram grupos como os Jovens da Verdade e Vencedores por Cristo que trouxeram um novo estilo, mais popular, com ritmo brasileiro. Aqueles &#8220;Jovens da Verdade&#8221; relegados a segundo plano por sua denomina\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, sentados na cal\u00e7ada, sem saber o que fazer e para onde ir escreveram: &#8220;N\u00e3o vou ficar sozinho, agora sou feliz, com Cristo no meu cora\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui no Rio Grande do Sul nossos cultos estavam sendo inflamados por uma nova melodia de louvor. Eram c\u00e2nticos de adora\u00e7\u00e3o e louvor. Nossos cultos no final da d\u00e9cada de setenta n\u00e3o tinham hora para terminar, nem estrutura do que vem antes e depois. A adora\u00e7\u00e3o, a prega\u00e7\u00e3o, a salva\u00e7\u00e3o e a cura faziam parte de uma coisa s\u00f3, de uma totalidade. E surge o Asaph Borba, que se converteu entre n\u00f3s, com seu viol\u00e3o aprendendo os primeiros acordes da adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, o avivamento que houve em Porto Alegre e em v\u00e1rias cidades do Brasil trouxe uma nova hinologia. Os avivamentos mexem com a hin\u00f3dia de um povo. Foi assim com Carlos Wesley que, afirmam os historiadores, teria escrito cerca de 1600 c\u00e2nticos! O Asaph est\u00e1 perto dos mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o surgiram centros de avivamento como Goi\u00e2nia, cidade dos meus amigos Robson e C\u00e9sar, Curitiba, com o Miguel Piper, S\u00e3o Paulo com o Ademar de Campos, e perdoem-me n\u00e3o citar mais nomes porque o espa\u00e7o deste artigo \u00e9 bem limitado. Um nova hinologia para um novo tempo. Apareceu pela Editora Bet\u00e2nia, O Minist\u00e9rio de Louvor da Igreja, um livro que vende sistematicamente at\u00e9 os dias de hoje. A nova gera\u00e7\u00e3o que nasceu a partir da\u00ed tem de ler este livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante as d\u00e9cadas de oitenta e noventa nossos cultos sofreram uma transforma\u00e7\u00e3o em sua liturgia com os c\u00e2nticos de adora\u00e7\u00e3o. Novamente a tend\u00eancia hist\u00f3rica de uma nova hinologia para novos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sob esta \u00f3tica que consigo analisar os c\u00e2nticos do Cirilo e do David Quinlan. Eles trouxeram uma nova hinologia para a igreja, uma forma de c\u00e2nticos de adora\u00e7\u00e3o mais intimista, pessoal, relacional entre homem e Deus. Ainda que tenha certas reservas com a tend\u00eancia m\u00e2ntrica repetitiva, n\u00e3o posso ignorar que as letras de suas m\u00fasicas de adora\u00e7\u00e3o trouxeram os adoradores para mais perto de Deus. &#8220;Abra\u00e7a-me! Abra\u00e7a-me! Com teus bra\u00e7os de amor&#8221; n\u00e3o seria tolerado anos atr\u00e1s, mas a seq\u00fc\u00eancia progressiva da adora\u00e7\u00e3o levou-nos a entoar esta letra e melodia com tanta intimidade, que esquecemo-nos do tempo na presen\u00e7a de Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se pode avaliar se um projeto deu certo de um dia pro outro. 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