Igreja judaizante

Paulo, o apóstolo de Jesus entendeu que a igreja é o novo Israel de Deus, no seu sentido mais amplo de povo, e jamais passou pela mente do apóstolo trazer para a recém formada nação espiritual os costumes, leis e práticas da nação natural. Aliás, qualquer estudante das escrituras entenderá que Paulo sempre teceu comparações entre o Israel natural e o espiritual. Ele sempre usou o natural como sombra do espiritual.

Alguns exemplos:

1. A circuncisão. Ele enfrentou os demais apóstolos de seus dias que exigiam que os novos convertidos gentios fossem circuncidados, eliminou a prática da circuncisão, uma regra de vida estabelecida para sempre aos israelenses no pacto feito entre Deus e Abraão. Nesta sua decisão Paulo enfrentou a tradição do povo judeu acatando uma determinação divina. Ele conheceu a mente do Espírito e entendeu que a prática da circuncisão abortaria a expansão do evangelho da graça e levaria aos povos gentios um evangelho de lei. Se a circuncisão fosse mantida, nos dias de hoje cada pastor e missionário deveria ser médico, montar uma clínica, não um lugar de reuniões para poder circuncidar os novos crentes. Decisão sábia esta do Espírito Santo. Se a prática fosse mantida a igreja não seria o que é. A circuncisão é feita no coração, não no prepúcio. Ponto para Paulo.

2. A guarda de festas, alimentos e dias especiais. Para Paulo ficou encravada na cruz a lei e os mandamentos que restringiam certos alimentos e condenavam o homem. A lei do Espírito e de vida é que determina o que o homem pode ou não comer e beber. Todas as coisas são recebidas com ações de graça. O novo Israel de Deus pode usar o alimento que quiser sem restrições impeditivas da lei. Em Cristo o novo homem é livre. Quanto às festas israelenses elas eram sombra do Cristo que viria, sombras da igreja e não têm mais razão de ser. Mas e a páscoa? A páscoa era uma figura de Cristo, celebrada sempre que se come do pão e bebe-se do cálice. Os judeus celebravam festa ao Senhor a cada lua nova, sacrificavam animais, etc. Tudo sombra do que já veio: Cristo e a igreja.

3. Israel como nação. Entender que o novo Israel é governado pela lei de Cristo parece ser o problema dos cristãos ao longo da história, e especialmente em nossos dias. Vejamos alguns erros que os cristãos modernos incorrem:

a) A idéia de que Israel é uma terra santa e que a cidade de Jerusalém é a santa cidade. Jerusalém é uma figura da igreja; Israel figura do povo de Deus. O Israel natural, a terra e as cidades para onde nossos irmãos peregrinam periodicamente não são santos. Ao contrário, Israel é uma terra tão pervertida como qualquer nação que abandona as leis do Senhor. Quem já foi a Israel deve ter notado que tudo ali é a peso de dinheiro e que os chamados locais “santos” servem apenas como fonte de renda para os judeus e para os organizadores das caravanas. Nossos irmãos brasileiros também sabem aproveitar a crendice do povo de que ali é terra santa para obter algum lucro. A única coisa santa em Israel são os verdadeiros discípulos de Jesus – verdadeiros no sentido mais restrito da palavra!

b) Jerusalém. Quando se lê o Antigo Testamento percebe-se que o próprio Deus faz uma diferença entre nação, no sentido geográfico e nação como propriedade espiritual. Os cristãos, no entanto, possuem uma visão romântica de Israel e crêem que Jerusalém é uma cidade santa. Mas, como Deus vê Jerusalém? Basta ler Apocalipse 11.8 que fala de um acontecimento escatológico: “o seu cadáver ficará estirado na praça da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado”. Deus não vê Jerusalém como cidade santa; aos olhos de Deus a cidade não passa de uma grande Sodoma – cidade promíscua – e de Egito, terra de escravidão. Paulo compara a igreja com o Israel natural em Gálatas 4.23-29. Santa para Deus é a Jerusalém celestial, a igreja.
Mas nossos irmãos vão a Israel e acham que o azeite de lá tem poder curativo e é mais eficaz para se ungir que o daqui; que a água do Jordão é santa e enchem ou compram vidrinhos de água, trazem terra, amuletos diversos, enriquecendo o Israel natural. O vinho da ceia produzido em Israel é mais eficaz que o produzido no Brasil… Já estive em cultos em que me foi alcançado óleo para eu ungir as pessoas com a seguinte argumentação: Pastor João, este óleo veio de Israel, querendo com isto afirmar que é mais terapêutico. Pois deixo de lado o óleo de Israel e uso o óleo de soja mesmo.

c) A bandeira de Israel. Pois vejo a bandeira de Israel hasteada nos templos, às vezes em detrimento do pavilhão nacional, o que é uma lástima, pois implantam na mente do povo preconceito racial. É um desrespeito aos nossos irmãos na fé que estão no Egito, na Jordânia, na Síria, Líbano e países do Oriente Médio historicamente inimigos dos judeus. Mas nossos irmãos desses países aceitam os judeus, os palestinos, os brasileiros e americanos como irmãos em Cristo. No momento em que se coloca a bandeira e os símbolos de Israel nas reuniões da igreja forma-se a idéia de que o Israel natural é nosso aliado na missão de pregação do evangelho, quando acontece exatamente o contrário. O governo de Israel está interessado no nosso dinheiro.
Nós, os pastores fomos convidados a participar de um café com o cônsul de Israel. Pergunta aqui, pergunta ali queríamos saber dele do propósito do café. O cônsul não estava interessado nem era missão sua abordar a nação como herança de Deus. Por fim, deixou transparecer que era uma reunião comercial, e que ele mesmo era ateu, apenas queria oferecer os serviços do país aos que quiserem visitar Israel. Os que hasteiam a bandeira de Israel deveriam hastear as bandeiras de nossos irmãos árabes, pois que eles também são descendentes de Abraão e abençoados por Deus; e dos palestinos, pois que existem tantos irmãos na fé na faixa de Gaza…

Não estou afirmando que não se deve orar por Jerusalém nem deixar de amar nossos irmãos judeus, mas estes devem ser amados e evangelizados como qualquer nação. Sua igreja tem visão missionária? Hasteie as bandeiras dos países pelos quais os irmãos oram e ajudam com ofertas missionárias. Sua igreja ama Israel? Então deve amar também os árabes. Hasteie a bandeira de Israel ao lado da dos árabes, pois que estes devem ser alvos também de nosso amor.
Agora, os que querem ser cristãos messiânicos que cumpram os requisitos da lei como festas, circuncisão, guarda do sábado e que mudem de nacionalidade. É até possível que um judeu que se converte a Cristo faça parte de uma comunidade messiânica de judeus convertidos!

Lembre-se: Depois que o evangelho chegou a Antioquia, os gentios acataram a mensagem de salvação e constituíram a primeira igreja gentílica, isto é, sem a presença dos da raça judaica.

E o assunto não se esgota aqui.

2 thoughts on “Igreja judaizante

  1. concordo com essa reflexão pastor.Sou da luterana da renovação de cachoeirinha e infelizmente estamos retrocedendo nesse ponto.ex. é a festa dos tabernáculos que agora faz parte do calendário oficial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*